Colunista André de Castro fala do legado do ator no mundo da sétima arte; ouça a coluna ‘Cinema’
O legado de Paulo Gustavo: um artista completo que transcendeu o entretenimento
Sucesso estrondoso e representatividade
Paulo Gustavo foi um entertainer completo, com sucesso em filmes, séries, peças e programas de televisão. Seus três filmes da saga “Minha Mãe”, lançados em 2013, arrecadaram mais de 500 milhões de reais e levaram mais de 30 milhões de brasileiros aos cinemas. O sucesso transcendeu fronteiras, com “Minha Mãe” superando bilheterias de filmes internacionais como “Star Wars” e “Frozen 2”. Esse sucesso impressionante se deve, em parte, à representatividade: um homem gay, casado e com filhos, que retratou a realidade de muitas famílias brasileiras em um país ainda marcado pelo racismo, homofobia e machismo.
Militância sem palavras: a sutileza de Paulo Gustavo
Paulo Gustavo fazia militância sem precisar militar explicitamente. Através de seus personagens e histórias, ele abordou temas importantes com sutileza e inteligência, promovendo a reflexão e a aceitação. A personagem Dona Hermínia, por exemplo, representa o espírito maternal de diversas figuras presentes na vida de muitos brasileiros, indo além da figura da mãe biológica. Sua capacidade de tocar o coração de pessoas com diferentes visões de mundo, mesmo aquelas com preconceitos, é um diferencial marcante em sua obra.
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Um legado de risos e reflexões
A morte precoce de Paulo Gustavo, em meio à pandemia de Covid-19, deixou uma lacuna no cenário artístico brasileiro. Sua obra, no entanto, permanecerá como um legado de risos e reflexões. Filmes como “Minha Mãe” não são apenas comédias, mas também retratam a dor e a perda, mostrando a complexidade da vida. Personagens icônicos como Dona Hermínia e Maria Fizema, com suas nuances hilárias e tocantes, continuarão a divertir e emocionar gerações. O artista deixou um legado de amor, aceitação e humor que ultrapassa o entretenimento, marcando a cultura brasileira de forma indelével.



