Estudo aponta que o reservatório abastece mais de 15 milhões de pessoas; Didier Gastmans, pesquisador da Unesp, comenta sobre
O Aquífero Guarani e outros aquíferos importantes do interior paulista estão sob pressão crescente devido ao aumento da demanda e às mudanças climáticas. Cidades como Ribeirão Preto, Sertãozinho e Matão dependem 100% do Aquífero Guarani para seu abastecimento, enquanto outras, como São José do Rio Preto, São Carlos, Bauru e Franca, o utilizam como uma das principais fontes hídricas. Um estudo de 2020 estima que o aquífero abastece mais de 15 milhões de pessoas, a maioria no estado de São Paulo.
Aquíferos Paulistas: Um Panorama Preocupante
O Aquífero Bauru, que abastece cidades menores no oeste paulista, apresenta problemas de contaminação por nitrato, provenientes de vazamentos de esgoto e práticas agrícolas inadequadas. O Aquífero Serra Geral, embora com maior incerteza na perfuração, possui vazões consideráveis, importantes para o abastecimento público e atividades econômicas, como a produção sucroalcooleira. Já o Aquífero Guarani, com suas grandes reservas, abastece diversas cidades, mas sofre com a superexploração, exigindo uma gestão mais eficiente dos recursos.
Monitoramento: A Chave para a Sustentabilidade
Para garantir a sustentabilidade do uso desses aquíferos, é fundamental a implementação de sistemas de monitoramento consistentes. Esses sistemas permitiriam medir os níveis de água, avaliar a capacidade de recarga e detectar problemas de qualidade. A comparação com as redes de monitoramento de chuva e vazão dos rios demonstra a necessidade de um investimento semelhante para as águas subterrâneas. Embora existam algumas iniciativas, não há um sistema abrangente no Brasil. O monitoramento precoce permite a tomada de ações preventivas, como a otimização do consumo, soluções de engenharia ou a busca por novas fontes de abastecimento.
Ações Urgentes para o Futuro
A situação exige ações urgentes. O monitoramento contínuo atua como um sistema de alerta, indicando a necessidade de mudanças antes que a situação se torne insustentável. Com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU se aproximando (2030), a urgência em garantir a sustentabilidade do uso desses recursos hídricos é inegável. A adoção de práticas de consumo consciente e a implementação de políticas de gestão eficazes são cruciais para assegurar o acesso à água para as gerações futuras.



