Enfermeira Judith dos Santos Silva conversou com a CBN Ribeirão
A doação de órgãos é um tema crucial para a saúde pública, mas enfrenta barreiras significativas. A enfermeira Judite do Santo Silva, do Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, compartilhou insights valiosos sobre os desafios e esforços para aumentar as doações.
A Desinformação como Principal Obstáculo
Um dos maiores entraves para o transplante é a falta de informação. Muitas famílias recusam a doação devido ao desconhecimento do processo. Rumores e informações incorretas contribuem para uma alta taxa de negativas familiares. Para combater isso, iniciativas de esclarecimento são fundamentais. A Liga de Transplante da Escola de Enfermagem, por exemplo, realiza ações informativas em locais públicos e empresas, explicando o que é a doação de órgãos, quando ela ocorre e por que é realizada dessa forma.
Desafios na Doação e o Papel do SUS
Embora a vontade de doar seja frequente, a concretização nem sempre é simples. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o principal financiador do processo de doação, o que pode gerar dificuldades em hospitais particulares ou de pequeno porte, que nem sempre possuem a estrutura e profissionais qualificados para realizar os testes necessários. No entanto, a Secretaria da Saúde tem trabalhado para minimizar essas dificuldades, inclusive com legislação que permite que hospitais particulares encaminhem potenciais doadores exclusivamente para o SUS durante o processo de doação. Além disso, a secretaria tem disponibilizado profissionais para realizar testes em hospitais que não dispõem desse serviço, como em Jaboticabal, onde empresas terceirizadas realizam os procedimentos.
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A Importância da Comunicação Familiar e o Sistema de Procura de Órgãos
A comunicação em vida sobre o desejo de ser doador é crucial. A família é a responsável legal pelo corpo e, portanto, a autorização para a doação depende dela. Informar aos familiares sobre a vontade de doar alivia o peso da decisão em um momento difícil. Em São Paulo, existem dez serviços de procura de órgãos, divididos em regiões estratégicas. O serviço de Ribeirão Preto, por exemplo, atende uma vasta região, incluindo Araraquara, Barretos e São Carlos. Esses serviços capacitam profissionais nos hospitais para identificar potenciais doadores e realizar os procedimentos necessários. Após a realização dos testes que confirmam a morte encefálica, a equipe do serviço de procura de órgãos realiza a entrevista familiar.
Apesar dos desafios, os esforços para aumentar a conscientização e melhorar a infraestrutura para doação de órgãos são contínuos, visando salvar vidas e garantir que mais pessoas tenham a chance de receber um transplante.



