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Redes de lojas e supermercados fecham centenas de unidades no Brasil

Iniciativa contrasta com o balanço do setor, que apontou um aumento de 3,09% nas vendas em 2023; ouça o 'CBN Empreende'
Redes de lojas e supermercados fecham
Iniciativa contrasta com o balanço do setor, que apontou um aumento de 3,09% nas vendas em 2023; ouça o 'CBN Empreende'

Iniciativa contrasta com o balanço do setor, que apontou um aumento de 3,09% nas vendas em 2023; ouça o ‘CBN Empreende’

O varejo brasileiro vive um momento de contradições: enquanto grandes redes anunciam fechamento de pontos de venda, projeções otimistas sinalizam alta nas vendas de produtos sazonais, como o chocolate, e indicadores mostram crescimento nas vendas de supermercados em 2023.

Fechamentos e reestruturação entre as grandes redes

Nos últimos meses, redes de grande porte reduziram presença no país. O grupo espanhol Dia anunciou o fechamento de 243 lojas em todo o território nacional, mantendo operação apenas em parte do Estado de São Paulo. Ainda no início do ano, o Carrefour havia comunicado o encerramento de mais de 123 unidades após registrar prejuízos no último trimestre anterior. As Americanas também reduziram rede, fechando 99 pontos de venda entre janeiro e setembro.

Executivos das companhias definem as medidas como decisões estratégicas para enxugar operações e eliminar lojas com desempenho fraco. Para analistas, o movimento reflete adaptação a um novo perfil de consumo e à disputa por clientes em localidades onde o varejo de bairro tem crescido.

Crescimento das vendas e mudança no comportamento do consumidor

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) mostram que as vendas no setor supermercadista cresceram 3,09% em 2023 em relação a 2022, com o último mês do ano registrando alta mais expressiva de 10,73% sobre dezembro de 2022. O vice-presidente da Abras, Márcio Milã, atribui a performance à recuperação do consumo, ao controle inflacionário, à melhora do mercado de trabalho e à manutenção de programas sociais que sustentam a demanda por itens de primeira necessidade.

Ao mesmo tempo, o padrão de compra das famílias tem mudado: há uma migração para compras pontuais e para estabelecimentos próximos de casa. O supermercado de bairro, com menor necessidade de capital inicial e atendimento mais próximo, tem capturado fatia do consumo que antes favorecia grandes redes. A sazonalidade também segue em destaque: projeções do setor apontam crescimento de 17% nas vendas de chocolate para o período de Páscoa, impulsionando a procura por reposição rápida nas lojas.

Tecnologia e atendimento como diferencial competitivo

Além da localização e do atendimento personalizado, a adoção de tecnologia para reduzir rupturas de estoque aparece como solução para atender a demanda. Especialistas em operações de varejo relatam altos índices de ruptura operacional — situações em que o produto está no depósito, mas falta na gôndola por falhas no processo de reposição.

Carlos Weinhard, da empresa de analytics Mobit, que atua em mais de 60 redes varejistas, afirma que ferramentas que geram alertas e orientam reposição têm ajudado a diminuir esses problemas, garantindo que consumidores encontrem nas prateleiras o que procuram. Segundo ele, a combinação entre tecnologia, organização do espaço de vendas e treinamento de equipe melhora a experiência do cliente e favorece a fidelização.

O cenário atual aponta para uma reconfiguração do varejo: grandes cadeias reestruturam lojas e investimentos, enquanto supermercados locais e soluções tecnológicas ganham espaço ao oferecer conveniência, proximidade e melhor disponibilidade de produtos. A disputa por clientes deve continuar exigindo adaptação rápida das redes e foco em serviços e operação eficiente.

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