Ouça a coluna ‘CBN Multimídia’, com Edmo Bernardes
As campanhas publicitárias, com seu poder de viralização e alcance, tornaram-se um barômetro da sensibilidade social. A cada nova estação ou data comemorativa, somos bombardeados com anúncios que, em sua busca por inovação e criatividade, por vezes, esbarram em críticas e controvérsias.
O Peso das Críticas nas Redes Sociais
O imediatismo das redes sociais amplificou a voz dos consumidores, que não hesitam em expressar sua insatisfação diante de campanhas consideradas ofensivas, insensíveis ou simplesmente de mau gosto. Casos recentes, como as campanhas do Boticário para o Dia dos Namorados ou as cenas de novelas patrocinadas pela Natura, demonstram como o público está cada vez mais atento e exigente em relação à representatividade e aos valores transmitidos pela publicidade.
Entre o Politicamente Correto e o Bom Senso
A busca por um “politicamente correto” na publicidade, embora bem-intencionada, pode, por vezes, resultar em campanhas excessivamente cautelosas e sem graça. O desafio reside em encontrar um equilíbrio entre a sensibilidade social e a liberdade criativa, evitando tanto a ofensa quanto a autocensura. A legislação, embora importante para proteger os direitos dos consumidores, não deve sufocar a expressão artística e o humor, elementos essenciais da publicidade.
A Autorregulamentação como Caminho
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) desempenha um papel fundamental na mediação entre as empresas, os consumidores e a sociedade. Ao estabelecer diretrizes éticas e promover o diálogo, o Conar contribui para a construção de uma publicidade mais responsável e consciente. No entanto, é preciso que todos os envolvidos – publicitários, legisladores e consumidores – exerçam o bom senso e a tolerância, a fim de evitar o excesso de regulamentação e a polarização desnecessária.
Em um cenário de crescente polarização e intolerância, a publicidade enfrenta o desafio de se reinventar, buscando novas formas de comunicar e engajar o público sem ferir sensibilidades ou reforçar estereótipos. O diálogo aberto e a autorregulamentação se mostram como caminhos promissores para a construção de uma publicidade mais ética, criativa e relevante.



