Ouça o segundo capítulo da série ‘Caminhos da Ressocialização’
O Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Jardinópolis, localizado em uma área de 800 mil metros quadrados às margens da Rodovia Cândido Portinari, busca auxiliar no processo de reintegração social de presos por meio do trabalho. A unidade prisional, de regime semi-aberto, abriga uma estrutura impressionante que inclui uma cozinha que prepara diariamente 1.800 refeições para funcionários e detentos, e oito galpões de produção.
Trabalho como Ferramenta de Reintegração
Dentro do CPP, os presos desempenham diversas funções, desde a produção de mudas de cana-de-açúcar e cigarros de palha até a manutenção da unidade e o cultivo orgânico de verduras, legumes e frutas, gerando 5 toneladas de alimentos por mês para consumo interno. Detentos qualificados, como o eletricista Renato Aparecido Fernandes, condenado por tráfico de drogas, encontram no trabalho uma oportunidade de aprimorar suas habilidades e aprender novas técnicas.
Parcerias e Benefícios do Trabalho Prisional
O diretor do CPP, Evandro Campanhã, destaca a transformação comportamental dos detentos que trabalham, com pesquisas indicando que o índice de reincidência entre eles é de apenas 54%. Agnaldo Batista dos Santos, responsável pelo Centro de Trabalho, explica o processo de inserção dos presos no mercado de trabalho, iniciando com atividades internas e progredindo para parcerias com empresas privadas. O controle de ponto é feito por meio de um sistema de crachá, e o trabalho externo é realizado com o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. Embora a legislação trabalhista seja diferente da CLT, com benefícios para as empresas, ainda existe um tabu a ser quebrado entre os empresários quanto à contratação de reeducandos.
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Caminhos para a Reintegração Social
Atualmente, mais de 400 presos da região trabalham externamente para prefeituras e empresas privadas, realizando serviços de manutenção, jardinagem e pintura. A lei de execução penal prevê a suspensão do benefício do semi-aberto em caso de deslizes, reforçando a importância da responsabilidade e do comprometimento dos detentos. O trabalho, portanto, se mostra como um caminho fundamental para a reintegração social, preparando os indivíduos para um retorno positivo à sociedade.



