As geadas e a longa estiagem prejudicaram a produção; ouça a entrevista com diretor da Única, Antônio de Pádua Rodrigues
A safra de cana-de-açúcar deste ano sofreu impactos significativos devido a eventos climáticos adversos, como seca e geadas, resultando em uma previsão de processamento de 530 milhões de toneladas de cana, 75 milhões a menos que na safra anterior.
Impacto dos Fenômenos Climáticos na Produtividade
A falta de chuvas desde abril de 2020 já havia reduzido a produtividade agrícola. As geadas de julho afetaram mais de um milhão de hectares, com 50% das perdas concentradas em São Paulo. A necessidade de colheita antecipada da cana, para evitar maiores perdas, comprometeu o desenvolvimento da planta e reduziu ainda mais a produtividade. Em julho, a redução foi de 15%, e em atrássto, manteve-se no mesmo patamar. Os focos de incêndio também contribuíram para a diminuição da produção, afetando áreas já colhidas e aquelas prontas para a colheita.
Efeito na Produção e Preço do Etanol
A menor oferta de matéria-prima impacta diretamente na produção de açúcar e etanol. A redução da produtividade leva a uma menor oferta, influenciando o preço do etanol. Com a demanda aquecida e a oferta reduzida, o preço do etanol tende a subir, principalmente porque ele é um substituto da gasolina. O aumento do preço da gasolina impulsiona ainda mais a procura por etanol, agravando a situação.
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Medidas do Setor e Impacto Regional
Para enfrentar a situação, o setor está reduzindo as exportações e incrementando a produção de etanol de milho. A prioridade é a produção de etanol anidro, usado na mistura com a gasolina. A região mais afetada é o interior de São Paulo, incluindo Ribeirão Preto, São Carlos e Araraquara, com redução na oferta superior a 20%. Apesar dos desafios, o setor busca estratégias para garantir o abastecimento, mas a redução significativa na oferta de açúcar e etanol já impacta os preços.



