Órgão divulgou que o PIB brasileiro teve um crescimento de 2,9% no último ano; setor do agronegócio teve alta de mais de 15%
No quadro Giro do Agro, do Jornal da CBN, apresentado por Andréle Ferro, o IBGE divulgou na última sexta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,9%, alcançando quase R$ 11 trilhões. O resultado tem impacto direto nas regiões de forte atividade agropecuária: a região de Ribeirão Preto foi responsável por cerca de um terço da produção nacional.
Desempenho setorial e efeitos locais
O crescimento do PIB refletiu avanços em diferentes setores: indústria (+1,6%), serviços (+2,4%) e um salto de mais de 15% no faturamento do agronegócio. O PIB per capita também avançou, subindo 2,2% no período. Para o especialista em agronegócio José Carlos de Lima Jr., a maior renda gerada pelo campo tem efeito direto no consumo e na valorização de ativos locais.
“Na parte de consumo, a dinâmica é a mais visível: a produção agrícola beneficia os trabalhadores e amplia a demanda na região. Além disso, há a valorização da terra e do metro quadrado nas áreas comerciais”, afirmou José Carlos de Lima Jr.
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Ribeirão Preto: cana, soja e milho impulsionam o PIB
A cana-de-açúcar teve desempenho expressivo — a produção do setor cresceu 10% em relação ao ciclo anterior — e foi apontada como um dos vetores do bom resultado regional. Segundo o economista Edgar Montfort, a região de Ribeirão Preto concentra um terço do total produzido no país, o que explica boa parte da contribuição do setor agrícola para o crescimento do PIB.
“A região tem um PIB agrícola muito forte. Em grande parte, Ribeirão faz parte desse bom resultado que a gente teve com a agricultura e o agronegócio”, disse Montfort, ressaltando ainda o encadeamento produtivo: usinas, fornecedores e demais etapas industriais que geram emprego e renda na cadeia.
Além da cana, outras culturas também se destacaram: a área plantada de soja subiu 3% em locais como Ituverava e Guaira, alcançando mais de 1,3 milhão de hectares, e a produtividade do milho cresceu 6% em relação a 2022. Essas safras, beneficiadas por preços elevados no ano anterior, tiveram papel relevante na receita regional.
O especialista em agronegócio explicou ainda a dinâmica de rotação de culturas na região: após o término do ciclo de corte da cana costuma haver pousio e replantio. Tradicionalmente cultivava-se amendoim em algumas áreas, mas nos últimos anos muitos produtores optaram pela soja, motivados pela valorização da saca, o que ampliou as áreas cultivadas e gerou maior volume produtivo para os municípios.
Consumo das famílias e perspectivas
O IBGE também registrou aumento de 3% no consumo das famílias em comparação ao ano anterior, reflexo da maior renda disponível em regiões ligadas ao agronegócio. Os indicadores reforçam a importância do setor para a economia local e nacional, apontando para uma cadeia que gera efeitos multiplicadores além das fazendas.
Os dados divulgados mostram como a recuperação e o desempenho das safras influenciam não só os números macroeconômicos, mas também a vida econômica das cidades e dos atores envolvidos na produção.