Municípios estão recorrendo ao “Vaga Zero” para encaminhar pacientes; autoridades se reuniram para tentar encontrar solução
A superlotação de maternidades na região de Ribeirão Preto, motivada pelo fechamento de leitos, foi o centro de um intenso debate na Câmara Municipal. Prefeitos, secretários de saúde, representantes do Conselho Regional de Medicina (CRM) e do Ministério Público se reuniram para discutir soluções emergenciais e de longo prazo para a crise.
Superlotação e Impacto nas Maternidades
O Hospital Mater, em Ribeirão Preto, é um dos mais afetados, com um aumento significativo no número de partos mensais, saltando de 250 para 320. Hospitais como o Hospital das Clínicas, Naherp e as Santas Casas de Ribeirão e Sertãozinho também operam acima de sua capacidade, sobrecarregando o sistema de saúde regional. Um relatório detalhado sobre a situação foi encaminhado às 26 prefeituras da região que dependem dos serviços de saúde de Ribeirão Preto.
Propostas e Desafios na Busca por Soluções
O Conselho de Medicina defende a reabertura imediata das maternidades de Serrana e Jardinópolis como uma medida para aliviar a pressão sobre as unidades de Ribeirão Preto. No entanto, a secretária de saúde de Serrana, Miriam de Souza Marcelani, argumenta que o município não dispõe dos recursos necessários para manter os leitos em funcionamento. Outra questão levantada pelo CRM é o uso inadequado da Central de Regulação de Vagas, que estaria utilizando o programa Vagas Zero para internar gestantes em trabalho de parto, quando este recurso deveria ser reservado para casos mais complexos.
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Posicionamento do DRS e Apuração do Ministério Público
O diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Ribeirão Preto, Ronaldo Dias Capeli, nega a existência de um déficit de leitos para gestantes na região, afirmando que há leitos disponíveis em São Simão. O DRS se comprometeu a realizar um levantamento para identificar os municípios em situação mais crítica e encaminhar os partos para São Simão, que se ofereceu para receber os casos. O promotor da cidadania, Sebastião Sérgio da Silveira, presente na reunião, ressaltou a necessidade de apurar o uso do Vagas Zero para o encaminhamento de gestantes em trabalho de parto e apontou a existência de duas regulações em Ribeirão Preto como um problema que compromete a eficiência do sistema. O Conselho Regional de Medicina também denunciou a falta de estrutura para atender mulheres com gravidez de risco, com apenas três hospitais possuindo UTI neonatal.
Diante do cenário, o foco se volta para a busca por soluções que otimizem a gestão do sistema de vagas e garantam o acesso adequado aos serviços de saúde para gestantes na região.



