Último caso foi domingo, quando pai foi autuado com filho por usar luz em helicóptero da Polícia Militar
O céu de Ribeirão Preto e região tem sido palco de uma brincadeira perigosa que preocupa pilotos de aviões e helicópteros: o uso indiscriminado de canetas de raio laser. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e a Polícia Militar registraram, somente neste ano, 25 ocorrências de aeronaves sendo alvejadas por esses dispositivos na região. Em todo o estado, foram contabilizados 106 casos.
Ocorrências e Riscos
O caso mais recente ocorreu durante a Parada Gay em Ribeirão Preto, quando um pai e seu filho foram levados à delegacia após a criança, de apenas 9 anos, apontar um laser para o helicóptero Águia da Polícia Militar. Segundo o Capitão PM Otávio Augusto de Lima Seminate, o raio laser foi suficiente para atrapalhar o trabalho de monitoramento na zona sul da cidade. Apesar de não ter havido prisão em flagrante, o capitão ressalta que a prática é criminosa e pode resultar em detenção caso se confirme o risco à segurança do voo. O equipamento foi apreendido e um boletim de ocorrência foi registrado.
Antes desse incidente, entre janeiro e atrássto deste ano, o Cenipa já havia registrado 24 notificações, sendo 22 em Ribeirão Preto, além de ocorrências em Jardinópolis e Orlândia. Esse número representa 61% do total registrado em todo o ano passado, que foi de 36 ocorrências. Em um dos casos, o laser atingiu os olhos de um piloto, expondo-o a um risco considerável. O capitão explica que o laser pode causar desde o ofuscamento da visão e lacrimejamento até, em situações extremas, a cegueira temporária. Essa desorientação, mesmo que por frações de segundo, pode ser fatal na aviação.
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Apelos por Regulamentação
As situações registradas na região geralmente causam distração e ofuscamento na visão dos pilotos, momentos em que a concentração é crucial. O piloto José Paulo Rodrigues Garcia defende a proibição da venda das canetas laser, que podem ser adquiridas facilmente por qualquer pessoa. Ele relata que muitos pilotos já precisaram arremeter o pouso devido à interferência dos lasers.
O Tenente Coronel Sidney Veloso da Silva Júnior, chefe do Cenipa, destaca que o momento mais crítico para o piloto é durante o pouso, quando a luz do laser se espalha pela cabine e dificulta a visibilidade da pista. Ele explica que a aproximação final é um momento de alta vulnerabilidade, onde a carga de trabalho do piloto é maior.
O Código Penal prevê punições para quem pratica esse tipo de ato, com penas que variam de 4 a 5 anos de prisão. Se o uso do laser resultar na queda ou destruição da aeronave, a pena pode chegar a 12 anos de reclusão.
A crescente incidência de casos envolvendo canetas laser e aeronaves levanta um alerta sobre a necessidade de maior conscientização e fiscalização para evitar tragédias no espaço aéreo.



