Lançado durante uma greve para conter gastos, medida foi justificada por Marco Antônio Zago em passagem por Ribeirão Preto
O reitor da USP, Marco Antônio Zago, marcou presença na posse da nova diretoria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, onde abordou questões polêmicas que envolvem a universidade.
Plano de Demissão Voluntária em Meio à Crise
A medida mais recente e controversa é o plano de incentivo de demissão voluntária e o programa de incentivo à redução de jornada para os servidores técnico-administrativos. Aprovada recentemente, a iniciativa gerou debates acalorados, especialmente em meio ao movimento grevista na USP.
Zago justificou a necessidade do plano, argumentando que a crise econômica impactou diretamente o orçamento da universidade. “Neste momento, precisamos realizar cortes no nosso orçamento, e o mais significativo deles diz respeito à folha de pagamento”, explicou. O reitor detalhou que o plano oferece um incentivo para os servidores que desejarem participar voluntariamente, visando reequilibrar as finanças da instituição.
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Para ilustrar a situação financeira da USP, Zago mencionou que o déficit pode atingir 625 milhões neste ano, e que, no primeiro semestre, a folha de pagamento consumiu 105,7% dos recursos repassados pelo Estado.
O Movimento Grevista e a Democracia na USP
Outro ponto abordado foi o movimento grevista em curso. Zago afirmou que a reitoria acompanha as manifestações, reconhecendo o direito dos profissionais de se mobilizarem e expressarem suas demandas. “Aceitamos isso como parte do jogo democrático”, declarou.
Apesar do caráter combativo das manifestações, o reitor ressaltou que a adesão ao movimento tem sido pequena, considerando a grave situação econômica do país. Zago reiterou que a universidade respeita o direito à manifestação, encarando-o como um componente essencial da democracia.
Posse da Nova Diretoria e a Representatividade Feminina
Durante a cerimônia, os professores Margarete de Castro e Rui Alberto Ferriani assumiram seus cargos na diretoria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Um marco importante foi a posse de Margarete de Castro, a primeira mulher a liderar a instituição.
Questionada sobre sua posição como mulher à frente da faculdade, Margarete enfatizou a importância da representatividade feminina em um contexto de conflitos e denúncias de discriminação. Ela expressou o desejo de promover um ambiente de convivência harmoniosa e natural dentro da universidade, onde a questão de gênero não seja mais um fator de desigualdade.
As questões levantadas durante a reportagem são complexas e refletem os desafios enfrentados pela USP. Resta acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e torcer para que a universidade encontre soluções para superar seus problemas.



