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Relação abalada entre Brasil e EUA afeta diretamente economia dos dois países

Nelson Rocha Augusto faz uma análise do atual momento da economia brasileira com a incerteza das tarifas estadunidense
Relação abalada entre Brasil e EUA
Nelson Rocha Augusto faz uma análise do atual momento da economia brasileira com a incerteza das tarifas estadunidense

Nelson Rocha Augusto faz uma análise do atual momento da economia brasileira com a incerteza das tarifas estadunidense

Complexidade nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos enfrenta um momento delicado, marcado pela ausência de um interlocutor claro por parte do governo americano. As tentativas de diálogo do governo brasileiro com áreas técnicas americanas não avançaram, sendo remetidas à Casa Branca. O presidente Donald Trump tem manifestado insatisfação com a relação bilateral, o que tem inflamado o cenário político e econômico entre os dois países. Aspectos judiciais e políticos brasileiros também influenciam essa tensão, mas o foco principal permanece na esfera econômica.

Tarifas e negociações internacionais

As negociações entre Estados Unidos e outros blocos econômicos indicam a possibilidade de tarifas comerciais em torno de 15%, valor que, apesar de ser um aumento em relação à atual média de 8%, é considerado mais viável do que alíquotas elevadas, como 50%. Exemplos recentes incluem acordos com a União Europeia e o Japão, este último comprometido com investimentos bilionários nos EUA. As negociações com a China, embora mais complexas devido à disputa pela liderança econômica mundial, também apontam para tarifas próximas a esse patamar.

Potencial do Brasil em negociações bilaterais

O Brasil possui setores com diferenciais competitivos importantes, como tecnologia agrícola, biocombustíveis, energia sustentável e mineração, especialmente de minerais estratégicos para a eletrificação, como o lítio. Estes segmentos podem ser usados como base para negociações bilaterais com os Estados Unidos, incluindo investimentos recíprocos, ainda que em escala menor que a do Japão. A legislação aprovada pelo Congresso Nacional sobre reciprocidade pode ser uma ferramenta para enfrentar as medidas americanas, embora o caminho do confronto não seja considerado produtivo.

Oportunidade para abertura econômica e diversificação de mercados

Apesar da situação atual, especialistas apontam para a possibilidade de melhora nas relações comerciais e recomendam que o Brasil aproveite a conjuntura para promover uma abertura econômica gradual e calibrada. O país conta com uma reserva internacional significativa, cerca de US$ 370 bilhões, e mecanismos que podem facilitar essa abertura. A diversificação de mercados, com destaque para acordos com a União Europeia, Mercosul, China, Japão e outros países asiáticos, é vista como estratégia para reduzir a dependência dos Estados Unidos, mantendo, porém, relações comerciais e investimentos importantes com a economia americana.

Entenda melhor

O comércio exterior é fundamental para o Brasil, que é um grande exportador, embora sua economia seja relativamente fechada. A abertura econômica pode aumentar a produtividade, a competição e a eficiência, beneficiando a sociedade como um todo e contribuindo para a redução da inflação. A experiência histórica mostra que políticas protecionistas não foram eficazes para a indústria nacional, que tem perdido participação no PIB. Assim, a recomendação é avançar em programas setoriais de abertura, alinhados com as capacidades competitivas do país, para fortalecer a economia brasileira no longo prazo.

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