Dimas Facióli explica o pode causas essa situação e como o país vai reagir diante do cenário; ouça a coluna!
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê uma desaceleração na queda do desemprego no Brasil em 2023. Apesar da redução significativa da taxa de desemprego em 2022 (8,1%, o menor nível desde 2015), a OIT aponta que a desaceleração do crescimento econômico deve impactar a geração de empregos.
Desempenho Econômico e Mercado de Trabalho
Após um crescimento econômico forte no primeiro semestre de 2022, fatores como a queda nos preços das commodities e a deterioração das condições financeiras globais levaram a uma desaceleração. A OIT projeta uma taxa de desemprego de 9% para 2023, enquanto o Boletim Focus do Banco Central prevê um crescimento do PIB de apenas 0,77% para este ano e 1,5% para 2024. Embora o Brasil tenha apresentado ganhos reais de salário acima da inflação nos últimos dois anos, a criação de empregos deve perder fôlego.
Perspectivas Globais e Desafios Locais
O cenário internacional também contribui para a previsão menos otimista. A consultoria White Project estima um aumento de apenas 1% no emprego global em 2023, comparado a 2022. A taxa de desemprego entre jovens é três vezes maior que a da população adulta, e uma parcela significativa (23,5%) não estuda, não trabalha e não está em treinamento. Além disso, o número de trabalhadores informais globalmente é alarmante, com milhões vivendo em situação de extrema pobreza. A desigualdade de gênero no mercado de trabalho também persiste, com uma significativa diferença na taxa de participação entre homens e mulheres.
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Cenários e Considerações Finais
Embora a previsão da OIT seja de uma desaceleração na queda do desemprego, a situação não é definitiva. O crescimento econômico, reformas fiscais e a própria dinâmica do mercado de trabalho podem influenciar positivamente a geração de empregos. O primeiro trimestre do ano costuma apresentar números mais fracos, devido a fatores sazonais como o desligamento de trabalhadores temporários. Acompanhar a evolução da economia ao longo do ano será crucial para avaliar a precisão das projeções e entender a real situação do mercado de trabalho brasileiro.