Proprietário da Atmosphera também oferecia vantagens para fechar contratos com a Prefeitura de Ribeirão Preto
A Operação Sevandija revelou novas informações, indicando o envolvimento de Marcelo Plastino, proprietário da empresa Atmosfera, no comando de licitações na prefeitura de Ribeirão Preto. Investigações da Polícia Federal e gravações autorizadas pela Justiça apontam que Plastino exercia influência sobre vereadores e servidores, além de manipular as disputas licitatórias.
Movimentações Financeiras Suspeitas
Um relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Atividades Financeiras) revelou que a Atmosfera movimentou R$ 2,5 milhões entre outubro de 2012 e janeiro de 2013, em operações consideradas suspeitas. O relatório aponta que o empresário é conhecido por participar de licitações fraudulentas. As investigações indicam que, a partir de 2009, a Coderp passou a subcontratar mão de obra para a prefeitura, beneficiando a empresa de Plastino. Quando seus interesses não eram atendidos, Marcelo tentava negociar com outras empresas participantes das licitações.
Tentativa de Eliminar a Concorrência
Em uma licitação para a reforma e manutenção de escolas, a Atmosfera não obteve sucesso devido ao valor mais alto de sua proposta. Um vídeo divulgado recentemente mostra Plastino tentando eliminar um concorrente da disputa, sem saber que estava sendo gravado. Na gravação, ele sugere dificuldades para o concorrente, indicando sua influência na prefeitura e oferecendo vantagens para que outros participantes desistissem da licitação.
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Influência e Oferta de Vantagens
Durante a gravação, Plastino deixa claro que possui influência na prefeitura, oferecendo vantagens aos participantes da licitação. Ele chega a oferecer um fiscal em sua “aula” (possivelmente um curso ou treinamento), prometendo ajudar os amigos e dificultar a vida de quem não cooperasse. A licitação em questão foi aberta em 2005, durante a gestão de Wilson Gasparini, para serviços de manutenção em escolas da rede municipal.
Representantes de uma empresa habilitada para concorrer à licitação se reuniram com Plastino, que tentou negociar a saída de três concorrentes com melhores preços, para que a Atmosfera ficasse com o contrato. O filho do ex-prefeito Wilson Gasparini Jr. afirmou que, na época, foi aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara com o apoio do prefeito para investigar o possível benefício à Atmosfera, mas nada foi comprovado. A Atmosfera não conseguiu o contrato da licitação. A defesa de Marcelo Plastino informou que não viu a gravação e que só se manifestará após assistir ao vídeo.
As evidências apresentadas na Operação Sevandija levantam sérias questões sobre a lisura dos processos licitatórios e a influência de interesses privados na administração pública local.


