Maria Zuely teria sacado R$ 2 milhões em dinheiro; valor bate com planilhas apreendidas nas investigações
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) entregou à Justiça relatório que detalha o recebimento de propina pela ex-prefeita Darci Vera. O documento aponta que a advogada Maria Zuelili Brandi recebeu R$ 4.858.000,00 do Palácio Rio Branco em 31 de janeiro de 2013, supostamente como parte do pagamento de honorários de uma ação coletiva do sindicato. Entretanto, na semana seguinte, ela sacou R$ 2.000.000,00 em três saques distintos (R$ 600.000,00, R$ 670.000,00 e R$ 730.000,00).
Destino do Dinheiro e Provas
Para os promotores, esse dinheiro teria sido repassado para Darci Vera ou alguém próximo a ela. Essa suspeita é reforçada por uma planilha encontrada no escritório do advogado Sandro Rovane, contendo a abreviatura “prefeita” ou “prefeitura” e o valor de R$ 2.000.000,00, coincidindo com o valor sacado por Maria Zuelili. O advogado José Carlos Marisco afirma que, apesar da investigação, a recuperação de todo o montante é improvável, considerando as diversas formas de lavagem de dinheiro, que podem incluir desde a fragmentação do dinheiro em pequenas transações (‘operação formiga’) até a utilização de paraísos fiscais.
Outros Envolvidos e Provas Adicionais
Wagner Rodrigues, outra peça-chave na investigação, recebeu 294 depósitos totalizando mais de R$ 400.000,00 em sua conta bancária entre janeiro de 2013 e julho de 2016, valores incompatíveis com seu salário de pouco mais de R$ 3.000,00 na Secretaria da Saúde. A declaração de imposto de renda de 2015, que totalizou R$ 37.153,00, comprova a discrepância. Rodrigues, delator na Operação Sevandija, confirmou ter recebido R$ 180.000,00 de propina via Sandro Rovane, que nega sua participação no esquema. Darci Vera negou ter recebido propina em seus depoimentos, e Maria Zuelili afirmou ter emprestado dinheiro para a ex-prefeita, mas negou envolvimento na corrupção.
A complexidade do caso, com diversos envolvidos e métodos de ocultação de recursos, torna a investigação desafiadora. A condenação, como demonstrado em casos como o do ex-presidente Lula, não depende de uma única prova irrefutável, mas sim de um conjunto probatório que engloba documentos, testemunhos e outros indícios. A busca pela justiça e o ressarcimento aos cofres públicos seguem em andamento.



