Quem fala é o professor Luiz Puntel na coluna ‘Oficina de Palavras’
Neste artigo, exploramos a obra-prima de Mário de Andrade, Macunaíma, em homenagem ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922.
Macunaíma: O Herói de Nossa Gente
Macunaíma, personagem título do livro homônimo de Mário de Andrade, transcende a mera figura literária. Ele representa a própria essência do Brasil, uma mistura única de elementos míticos, folclóricos e históricos. A obra, publicada em 1928, seis anos após a Semana de Arte Moderna, reflete a busca por uma identidade nacional, expressa através de uma narrativa surrealista e inovadora.
O Polímata Mário de Andrade e sua Criação
Mário de Andrade, um verdadeiro polímata – poeta, crítico literário, musicólogo, ensaísta, folclorista, pianista, contista e romancista –, foi figura central na Semana de Arte Moderna. Sua versatilidade e profundo conhecimento da cultura brasileira se refletem na complexidade e riqueza de Macunaíma. A obra é um caldeirão de lendas, costumes, personagens históricos, mitos indígenas, tudo misturado em uma narrativa que continua a fascinar leitores quase um século depois.
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De Ribeirão Preto ao Mundo: A Gênese de Macunaíma
Poucos sabem que Macunaíma foi concebido em Ribeirão Preto, a cerca de 90 quilômetros de Araraquara. Durante férias em uma chácara, em dezembro de 1927, Mário de Andrade deu forma a essa obra seminal da literatura brasileira. A chácara, hoje transformada em centro cultural, guarda a memória da criação de um dos personagens mais icônicos da literatura nacional.
A riqueza e a complexidade de Macunaíma, fruto da genialidade de Mário de Andrade, continuam a inspirar e a desafiar leitores e estudiosos até os dias de hoje, consolidando-se como um marco fundamental da literatura brasileira e um retrato singular da identidade nacional.