Lis Canello traz o destaque da editoria saúde para o ouvinte CBN Ribeirão
A morte da estudante Gabriela Záfara, em maio deste ano, após peregrinar por diversas unidades de saúde em Ribeirão Preto, expôs a fragilidade do sistema de saúde local. O caso, que ganhou grande repercussão, revelou uma série de falhas no atendimento que culminaram com o trágico falecimento da jovem.
Falhas no Atendimento e Diagnósticos Imprecisos
Gabriela passou por diversas triagens, incluindo três na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), recebendo diagnósticos variados como caxumba, torcicolo, virose e até intoxicação alimentar. Apesar dos apelos da família por exames complementares, nenhum exame foi realizado, conforme relatado pelo irmão da estudante, Gustavo Silva. A falta de um exame de sangue básico, que poderia ter identificado a gravidade da situação, é um ponto central na crítica ao atendimento prestado.
Reação das Autoridades e Investigação
Diante da repercussão do caso, a prefeita de Ribeirão Preto, Darci Vera, admitiu as falhas no atendimento à família. O caso motivou investigações paralelas na Secretaria Municipal de Saúde e na Câmara Municipal, além de chegar ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e ao Ministério Público. No entanto, em setembro, o inquérito policial foi concluído sem indiciados, alegando falta de evidências que apontassem responsáveis pela morte de Gabriela.
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Outros Casos e a Crise na Saúde
Infelizmente, o caso de Gabriela não é isolado. Menos de cinco meses depois, o motorista Fernando Garcia também faleceu por falhas no atendimento em Ribeirão Preto. O então secretário de saúde, Stene Miranda, chegou a colocar o cargo à disposição, admitindo não ser a pessoa mais indicada para a função. Outro caso que ganhou destaque foi a morte do menino Enzo Gabriel da Silva, de três anos, após complicações decorrentes de um intestino perfurado, evidenciando a persistência de problemas no sistema de saúde da região.
Necessidade de Melhorias e Fiscalização
O delegado regional do Cremesp em Ribeirão Preto, Isaac Jorge Filho, ressaltou a importância de equipes formadas por médicos experientes e a necessidade de maior fiscalização na escala de trabalho. O conselho tem defendido a mudança na forma de trabalho dos médicos, buscando uma maior produtividade e controle, a fim de evitar ausências injustificadas e garantir um atendimento mais eficiente à população.
Os eventos trágicos servem como um alerta para a necessidade urgente de aprimorar o sistema de saúde em Ribeirão Preto, garantindo um atendimento mais ágil, preciso e humanizado para todos os cidadãos.



