Apesar de rara, doença é considerada o tumor ocular mais comum em crianças; Ivan Savioli Ferraz fala sobre medidas de prevenção
O retinoblastoma é o câncer ocular mais comum em crianças, Retinoblastoma: a importância da saúde ocular na infância, embora seja uma doença rara, representando cerca de 3% dos cânceres infantis. Essa condição afeta principalmente crianças menores de cinco anos, com a maioria dos casos ocorrendo até os dois anos de idade. Aproximadamente 60% dos pacientes apresentam o tumor em apenas um olho, enquanto os outros 40% têm ambos os olhos acometidos.
O diagnóstico precoce do retinoblastoma é fundamental para melhorar o prognóstico, tanto em termos de preservação da visão quanto de sobrevida. Quando detectado em estágios iniciais, a chance de cura pode chegar a 90%. Por isso, a atenção à saúde ocular infantil é essencial, especialmente durante as consultas pediátricas de rotina.
Importância do exame oftalmológico na infância
O retinoblastoma pode ser identificado por meio do chamado teste do reflexo vermelho, também conhecido como teste do olhinho, que deve ser realizado desde o nascimento e repetido periodicamente até os cinco anos de idade. Esse exame simples consiste na observação do reflexo da pupila com o uso de um oftalmoscópio, aparelho que emite luz para avaliar a cor do fundo do olho, que normalmente é alaranjada. Caso o pediatra identifique alguma anormalidade, a criança é encaminhada para avaliação oftalmológica especializada.
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O teste do reflexo vermelho é obrigatório em alguns estados, como São Paulo, e deve ser realizado nas primeiras consultas pediátricas, incluindo ao nascimento, aos 4 meses, 6 meses, 1 ano, 2 anos e até os 5 anos. Além do retinoblastoma, esse exame pode detectar outras doenças oculares que, se não tratadas precocemente, podem levar à cegueira infantil.
Campanhas e conscientização: A doença ganhou maior visibilidade recentemente após o filho do cantor Thiago Lifer ser diagnosticado com retinoblastoma, o que motivou uma campanha de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce. Embora o foco tenha sido o retinoblastoma, especialistas ressaltam que a campanha deve abranger a saúde ocular infantil de forma mais ampla, incluindo outras condições que podem causar perda da visão.
Prevenção e políticas públicas: Estima-se que, anualmente, cerca de 33 mil crianças no Brasil fiquem cegas por condições que poderiam ser prevenidas ou tratadas se diagnosticadas a tempo. A Sociedade Brasileira de Pediatria, alinhada com a Academia Americana de Pediatria, recomenda que todas as crianças, mesmo sem queixas ou sinais aparentes, sejam avaliadas por um oftalmologista entre seis meses e um ano de idade. No entanto, a oferta desse atendimento na rede pública é limitada, o que dificulta a realização desse acompanhamento.
Especialistas sugerem que, caso não seja possível realizar a consulta oftalmológica no primeiro ano de vida, ela deve ocorrer até, no máximo, os três anos de idade. A prevenção da cegueira infantil não só melhora a qualidade de vida das crianças e suas famílias, como também traz benefícios econômicos para a sociedade, ao reduzir custos com cuidados médicos e aumentar a produtividade futura desses indivíduos.
Informações adicionais
- O retinoblastoma é um tumor maligno que se desenvolve na retina, a camada sensível à luz do olho.
- A detecção precoce pode ser feita por meio do teste do reflexo vermelho, realizado por pediatras durante consultas de rotina.
- Além do retinoblastoma, outras doenças oculares podem ser identificadas com esse exame simples.
- Campanhas de conscientização ajudam a alertar pais e profissionais de saúde sobre a importância do acompanhamento oftalmológico infantil.
- Políticas públicas que garantam o acesso ao exame oftalmológico na infância são essenciais para prevenir a cegueira evitável.