Retrospectiva do café, 2025 foi marcado por aumento do preço do grão
2025 foi um ano marcante para o mercado de café, com preços elevados e desafios na qualidade. Para entender o panorama e as perspectivas para 2026, conversamos com o produtor de café Gustavo Leonel, de Franca.
Retrospectiva de 2025: Clima e Exportação
Gustavo relembrou que o ano começou com preços altos devido ao caos climático de 2024, que incluiu seca severa e queimadas na região da Alta Mogiana. A dificuldade na retenção do volume de chuvas impactou a produção, levando os estoques a níveis historicamente baixos. Além disso, problemas de exportação, incluindo as tarifas impostas pelos Estados Unidos, também afetaram o mercado.
Desafios Logísticos e o Tempo de Produção
Após a pandemia, o mercado internacional enfrentou dificuldades logísticas, impactando o escoamento da produção brasileira. Gustavo destacou que a cafeicultura possui a cadeia mais longa entre o plantio e a produtividade, levando cerca de dois anos para que uma muda de café entregue os primeiros grãos. O déficit de produção em 2025 foi resultado dos problemas climáticos anteriores, mas espera-se que o volume de chuvas no início de 2026 possa sinalizar uma melhora na safra.
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Qualidade do Café e Estoques
A safra de 2025 também foi prejudicada na qualidade, com grãos menos uniformes devido ao clima. Isso levou à utilização de blends e outros componentes para suprir a demanda, resultando no chamado “café fake”. Apesar das chuvas recentes, Gustavo não acredita que os estoques se regularizarão rapidamente, devido ao alto consumo e ao crescente interesse do público jovem. Ele também mencionou que o tarifário de Trump incentivou os produtores a buscarem novos mercados, com destaque para o crescente interesse do mercado asiático.
Perspectivas para 2026 e o Café Robusta
Gustavo mencionou o investimento no café robusta, mais resistente e produtivo em temperaturas elevadas, como alternativa ao arábica, que enfrenta dificuldades de produção devido ao clima. Ele acredita que o preço do café nas prateleiras tende a se estabilizar em 2026, mantendo a bebida acessível à população.
Embora desafios persistam, o cenário aponta para uma possível estabilização, mantendo o café como uma bebida acessível.



