O setor de Recursos Humanos no Brasil passa por uma “reengenharia silenciosa”, tentando equilibrar o uso da inteligência artificial com o fator humano. No entanto, um estudo da HRTec e Shifts Group aponta que a mudança ocorre em velocidade inferior à exigida pelo mercado. Embora 56% das empresas tenham aumentado aportes em tecnologia, 62% dos profissionais ainda não notam mudanças práticas em suas rotinas, evidenciando um descompasso entre investimento e aplicação real.
Atualmente, o RH brasileiro é majoritariamente analógico, com 62% das empresas possuindo menos de 40% de seus processos digitalizados. O cenário de qualificação também preocupa: 71,5% dos profissionais da área são considerados abaixo do nível ideal para as demandas tecnológicas atuais. Além disso, 70% das iniciativas de IA são lideradas pelo setor de TI, o que pode distanciar as ferramentas das decisões estratégicas de cultura e ética organizacional.
A retenção de talentos aparece como outro gargalo crítico, com o turnover motivado principalmente por remuneração e carga de trabalho excessiva (58% cada). O estudo ressalta que o desenvolvimento de pessoas deve deixar de ser visto como um benefício para se tornar infraestrutura de sobrevivência. Para 2026, a tendência é o crescimento do trabalho sob demanda e a necessidade de redesenhar as estruturas de RH com foco total em dados, governança de IA e clareza de papéis.