Foram 100 mortes registradas em acidentes ou atropelamentos nos últimos 12 meses, média de 14,6 por 100 mil habitantes
Ribeirão Preto ocupa a sexta posição no ranking de mortes no trânsito entre as cidades do estado de São Paulo, Ribeirão é a sexta cidade mais violenta no trânsito no estado de São Paulo, segundo levantamento do Infociga. Nos últimos 12 meses, a cidade registrou 100 óbitos, o que corresponde a uma média de 14,6 mortes por 100 mil habitantes, número superior à média estadual de 13,93 mortes por 100 mil habitantes.
O ranking é liderado por grandes cidades como São Paulo, Guarulhos, Campinas, Sorocaba e São Bernardo do Campo. Ribeirão Preto destaca-se negativamente entre elas, principalmente devido a fatores relacionados ao comportamento dos motoristas, ao aumento da frota de veículos e à insuficiência do transporte público.
Comportamento humano e imprudência: O principal motivo para o elevado número de mortes no trânsito em Ribeirão Preto é o comportamento imprudente dos motoristas. Entre as vítimas, a maior parte está na faixa etária de 18 a 24 anos, grupo que representa um risco maior devido à falta de experiência e maior propensão a atitudes arriscadas no trânsito.
O professor de Engenharia de Transporte da USP, José Leomar Fernandes Jr., destaca que o excesso de veículos individuais contribui para o problema. Segundo ele, cidades com melhor qualidade de vida investem em transporte público eficiente, que atende a todas as classes sociais, reduzindo a dependência de carros e motos.
Transporte público e mobilidade urbana
Fernandes Jr. relata sua experiência em Viena, cidade considerada a melhor do mundo em qualidade de vida, onde o transporte público é acessível a todos e contribui para a segurança no trânsito. Ele afirma que quanto maior a oferta de ônibus e transporte coletivo, menor é o número de veículos individuais nas ruas, o que reduz acidentes e mortes.
Em Ribeirão Preto, a falta de opções adequadas de transporte público é apontada como um fator que contribui para o aumento da frota de veículos particulares, especialmente motos, que são mais acessíveis, mas apresentam riscos elevados.
Motociclistas: um grupo vulnerável: O cenário para os motociclistas em Ribeirão Preto é preocupante. De janeiro a julho deste ano, foram registradas 32 mortes envolvendo motos, um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. A convivência no trânsito é difícil, pois muitos motociclistas desrespeitam as leis, como o uso do corredor, prática proibida, enquanto aqueles que respeitam as regras também enfrentam riscos devido ao comportamento imprudente de outros condutores.
Rafael dos Santos, entregador na cidade, relata os desafios diários que enfrenta no trânsito. Ele menciona acidentes frequentes, falta de respeito às regras básicas como o uso de seta e a prioridade nas faixas de pedestres, e a necessidade de mais treinamento para os condutores.
“Ah, a gente está complicado, hein? É difícil. A gente está precisando mais aula ainda, porque está complicado. Não dá seta, ainda dá seta. É o mesmo… Eu fui batido essa semana, tive que arrumar a traseira. O motociclista bateu, vai parar aí dentro.”
Desafios e ausência de respostas oficiais
O trânsito em Ribeirão Preto é marcado por cenas frequentes de desrespeito às leis e riscos constantes para motoristas, motociclistas e pedestres. A reportagem solicitou um posicionamento da prefeitura sobre a falta de transporte público e as medidas para reduzir os acidentes, mas até o momento não houve resposta oficial.
Informações adicionais
O levantamento do Infociga é uma fonte importante para monitorar a segurança no trânsito nas cidades paulistas. A média estadual de mortes por 100 mil habitantes é de 13,93, abaixo da registrada em Ribeirão Preto. A faixa etária mais afetada, entre 18 e 24 anos, reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a educação no trânsito e fiscalização rigorosa.



