Cenário é otimista, mas ainda fica bem abaixo dos mais de mil postos criados em fevereiro, março e abril; especialista comenta
Os dados do CAJE divulgados recentemente apontam a taxa de emprego e desemprego no país e na região. Em Ribeirão Preto, junho mostrou recuperação no emprego, mas os números ainda ficam abaixo das contratações do início do ano. Janeiro foi o pior mês, com 379 postos de trabalho fechados. Houve melhora em fevereiro, com crescimento em março (1500 vagas) e abril (mais de 1000 vagas). Maio registrou 85 postos fechados, e junho voltou a crescer com 341 novas vagas, porém abaixo dos resultados de fevereiro e abril.
Análise do Primeiro Semestre
O economista Adnan J. Beile analisou os indicadores. O saldo do semestre em Ribeirão Preto foi positivo, com mais de 3700 pessoas empregadas, sendo o setor de serviços o destaque, com mais de 3300 novas vagas. No entanto, o comércio apresentou desempenho abaixo do esperado nos últimos meses.
Fatores Econômicos e Incertezas
Adnan destaca que, apesar do saldo positivo de 3000 postos de trabalho no semestre, é preciso considerar o contexto político-econômico. A troca de governo e as incertezas sobre a reforma tributária podem ter desacelerado o comércio no primeiro semestre. A pouca quantidade de datas comemorativas importantes também contribuiu para isso. Para o segundo semestre, as expectativas são mais positivas, com o programa Desenrola e o pagamento do 13º salário como fatores impulsionadores.
Perspectivas para o Segundo Semestre e Setores Econômicos
A estabilização da inflação, a desvalorização do dólar e a realização de grandes eventos também contribuirão para o crescimento econômico. No entanto, a indústria, principalmente a calçadista de Franca, que depende do comércio nacional, apresentou queda no número de empregos em junho. O setor agropecuário deve continuar contratando, mas em menores patamares devido à queda do dólar e à menor demanda internacional. A migração para o e-commerce não é vista como um fator determinante na lentidão das contratações no comércio, pois ambos os setores são complementares. A análise comparativa com o período pandêmico mostra um retorno à normalidade, com crescimento gradual e mais consistente.
A reforma tributária e medidas de recuperação de dívidas também devem impactar positivamente a geração de empregos. A informalidade é outro ponto importante a ser considerado, representando uma parcela significativa da população economicamente ativa. A discussão sobre a regulamentação e formalização desse setor é crucial para o crescimento econômico. A alta inadimplência da população também é um fator que precisa ser considerado, e programas como o Desenrola visam mitigar esse problema. A estabilidade da inflação é essencial para a previsibilidade do consumo e para a capacidade das famílias de lidar com imprevistos. O economista finaliza destacando a importância de analisar o cenário econômico com realismo, buscando consistência e crescimento gradual a longo prazo, em vez de oscilações bruscas.



