Dados do sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que monitora a reprodução humana assistida no Brasil, mostram que o país ultrapassou a marca de 689 mil embriões congelados nos últimos anos. Ribeirão Preto concentra uma parcela significativa desse total.
Segundo os registros, a cidade reúne mais de 113 mil embriões criopreservados entre 2020 e 2025, o equivalente a um em cada seis embriões armazenados no país. O número acompanha mudanças no comportamento reprodutivo, com mais mulheres buscando a medicina reprodutiva para planejar o momento de ter filhos.
Especialistas apontam que o congelamento de óvulos e embriões tem sido cada vez mais utilizado como estratégia para ampliar as possibilidades de gravidez no futuro e reduzir a pressão do chamado relógio biológico.
Polo médico
De acordo com a ginecologista e especialista em reprodução humana Camila Vidal, Ribeirão Preto se consolidou como um polo regional na área da saúde, o que contribui para a concentração de tratamentos e procedimentos relacionados à reprodução assistida. A presença de universidades, como a Universidade de São Paulo (USP), além de faculdades e clínicas especializadas, favorece a formação de profissionais e a oferta de serviços voltados à saúde reprodutiva.
“A gente tem alguns fatores que contribuem. Ribeirão Preto acaba sendo um polo da saúde como um todo e principalmente da saúde reprodutiva, principalmente pela USP, pelas faculdades. Temos um número grande de clínicas em Ribeirão e isso faz com que a gente tenhamos bons profissionais, bons serviços para acompanharem as pacientes”, destaca Camila.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar o número elevado de embriões criopreservados registrados na cidade em comparação com outras regiões do país.
Planejamento familiar
No consultório, a especialista afirma que tem sido cada vez mais frequente a procura de mulheres interessadas em preservar a fertilidade por meio do congelamento de óvulos ou embriões. Historicamente, o procedimento era mais associado a casais que já enfrentavam dificuldades para engravidar. Atualmente, no entanto, também passou a ser utilizado como ferramenta de planejamento familiar.
A técnica permite armazenar óvulos ou embriões por tempo indeterminado, preservando a qualidade das células e ampliando as chances de gestação em um momento considerado mais adequado para a mulher.
Avanço tecnológico
O crescimento do número de embriões congelados também está ligado ao avanço da tecnologia na área da reprodução assistida. Melhorias nos processos laboratoriais aumentaram as taxas de fertilização e o desenvolvimento dos embriões. Um dos avanços citados é a evolução das técnicas de congelamento, especialmente a vitrificação, que oferece maior segurança nos processos de congelar e descongelar o material biológico.
Além disso, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para monitorar o desenvolvimento embrionário em tempo real e estudar a genética dos embriões, o que pode ampliar ainda mais as possibilidades de tratamento nos próximos anos.



