Coordenadora do DST/AIDS, Fátima Neves falou com a CBN Ribeirão
Ribeirão Preto enfrenta um sério problema de saúde pública, ocupando a terceira posição no estado de São Paulo em número de mortes por AIDS, atrás apenas da capital e de Santos. Dados do Sistema de Informações de Mortalidade do SUS revelam que 1.729 pessoas perderam a vida para a doença nos últimos 16 anos na cidade. Apesar de um pico alarmante na segunda metade da década de 90, com mais de 230 óbitos, houve uma redução significativa até 2011, quando o número caiu para 69, representando uma diminuição de 70%.
Ações e Estratégias da Secretaria da Saúde
A coordenadora do programa municipal de DST-AIDS, Fátima Neves, destaca que a Secretaria da Saúde tem monitorado de perto os casos de internação hospitalar. O estudo aponta que a maioria dos pacientes é diagnosticada tardiamente, quando já apresenta um quadro clínico avançado da doença. Para combater esse cenário, a secretaria tem intensificado campanhas de conscientização, incentivando a população com vida sexual ativa a realizar o teste de HIV. O objetivo é identificar precocemente a infecção e monitorar os portadores do vírus, retardando ou evitando o desenvolvimento da AIDS.
Desafios e Vulnerabilidades
A análise dos casos de internação e óbito revela que uma parcela significativa da população afetada não adere ao tratamento ou é diagnosticada tardiamente. Esse grupo é composto, em grande parte, por moradores de rua e usuários de álcool e outras drogas, que se encontram em um contexto de vulnerabilidade e fragilidade. Fátima Neves ressalta a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo a sociedade civil, gestores, universidades e outras instituições, para encontrar soluções conjuntas e aprimorar as políticas públicas no município.
Estabilização e Perspectivas Futuras
Após uma queda expressiva nos óbitos entre 1996 e 2011, o número de mortes por AIDS em Ribeirão Preto se estabilizou. Fátima Neves reconhece que a AIDS é uma doença incurável e que o tratamento é contínuo, com desafios como a resistência medicamentosa e a dificuldade de adesão. No entanto, ela acredita que ainda há muito a ser feito, como aprimorar as políticas públicas relacionadas ao álcool e drogas, fortalecer a educação e a informação sobre sexualidade, e melhorar o acesso e a adesão ao tratamento. A expectativa é que a conferência municipal sobre HIV/AIDS impulsione a criação de novas redes e o fortalecimento das parcerias entre diferentes setores da sociedade.
Embora a erradicação completa da AIDS seja um objetivo distante, os esforços contínuos em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado são essenciais para melhorar a qualidade de vida dos portadores do vírus e reduzir o impacto da doença na comunidade.



