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Ribeirão Preto é o 40º município do Brasil em desenvolvimento humano

Professor Alberto Borges Mathias conversou com a CBN Ribeirão
Ribeirão Preto é o 40º município
Professor Alberto Borges Mathias conversou com a CBN Ribeirão

Professor Alberto Borges Mathias conversou com a CBN Ribeirão

Ribeirão Preto registrou uma queda significativa no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Ribeirão Preto é o 40º município do Brasil em desenvolvimento humano, conforme análise do professor Alberto Borges Matias, da Faculdade de Economia e Administração da USP. Embora a cidade ainda mantenha um padrão de vida considerado próximo ao de cidades do primeiro mundo, o recuo no ranking nacional evidencia desafios importantes, especialmente na área da educação.

O IDH, desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é um indicador que mede o nível de desenvolvimento humano com base em três dimensões principais: renda, longevidade e educação. Esses dados são usados para orientar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social e econômico.

Contexto nacional e estadual: O Brasil ocupa a 15ª posição mundial no IDH, o que indica um desenvolvimento humano relativamente baixo em comparação a outros países. No âmbito nacional, o estado de São Paulo é o segundo com melhor índice, funcionando como uma “ilha” de desenvolvimento em meio a um cenário nacional mais complexo. Segundo o professor Matias, é fundamental que São Paulo contribua para o desenvolvimento do país como um todo.

Desempenho de Ribeirão Preto no IDH

Em 1991, Ribeirão Preto apresentava um índice de 82%, posicionando-se em 21º lugar no ranking nacional. No entanto, em 2010, o índice caiu para 80%, o que resultou em uma queda para a 40ª posição. Essa redução é atribuída principalmente à queda no componente educacional do IDH.

Ao detalhar os indicadores, observa-se que a renda manteve-se praticamente estável, passando de 79,8% em 1991 para 82% em 2010, com pequenas oscilações intermediárias. A longevidade, por sua vez, apresentou melhora, subindo de 80% para 84,4% no mesmo período, o que ajudou a sustentar o índice geral da cidade.

Já o componente educação sofreu uma queda expressiva, passando de 91% em 1991 para 73,9% em 2010. Essa redução é considerada uma das maiores do país e posiciona Ribeirão Preto entre os municípios com piores indicadores educacionais no estado de São Paulo.

Indicadores educacionais e gestão: O professor Matias destaca que, apesar da queda no índice educacional, houve melhorias recentes no desempenho das escolas municipais. Segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), a nota média das escolas em Ribeirão Preto aumentou de 4,2 em 2012 para mais de 6 na última avaliação, resultado atribuído a mudanças na gestão, como a introdução de professores assistentes nas salas de aula.

Entretanto, o principal problema identificado não está relacionado à falta de recursos, mas sim à gestão educacional. Estudos realizados no estado de São Paulo indicam que não há correlação entre o gasto por aluno e o desempenho escolar, sugerindo que o problema reside na capacidade de gestão das escolas e dos processos de ensino.

Para enfrentar esses desafios, foram realizadas parcerias entre entidades locais, como a Rota, e a prefeitura, além de mobilizações da imprensa e da sociedade civil para pressionar por melhorias na gestão pública da educação.

Principais gargalos na educação: O professor Matias aponta que os gargalos da educação em Ribeirão Preto e no Brasil estão relacionados à gestão e aos processos educacionais. Embora os professores do estado de São Paulo sejam relativamente qualificados em comparação a outras regiões, o padrão ainda está distante do observado em países desenvolvidos, onde professores da educação básica frequentemente possuem mestrado ou doutorado.

Segundo ele, a melhoria da educação no Brasil depende da vontade política e da capacidade de implementar uma gestão eficaz, o que poderia elevar a qualidade do ensino e, consequentemente, o desenvolvimento humano da população.

Considerações finais: Apesar da queda no ranking nacional, Ribeirão Preto ainda se encontra em uma posição relativamente boa entre os 5.565 municípios brasileiros. No entanto, essa posição é relativa, considerando que o Brasil ocupa uma colocação intermediária no cenário mundial.

O professor Alberto Borges Matias enfatiza que o desenvolvimento da cidade está diretamente ligado à melhoria da educação, que impacta não apenas a renda, mas também a longevidade e a qualidade de vida dos habitantes. Portanto, a adoção de políticas públicas eficazes e a melhoria da gestão educacional são essenciais para reverter o quadro atual e garantir um futuro mais promissor para Ribeirão Preto.

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