Cidade aparece entre outros mil municípios, que estão em condições severas ou extremas; ação humana é um dos principais fatores
Os incêndios recorrentes na região têm comprometido significativamente a qualidade do ar, Ribeirão Preto está na lista de cidades, agravando a situação ambiental local. A estiagem prolongada, aliada à falta de chuvas, tem impactado negativamente os níveis dos reservatórios, gerando alertas da Defesa Civil para os moradores de diversas cidades.
Extensão da seca no país e na região
Um relatório recente aponta que mais de mil cidades brasileiras estão em situação de seca extrema ou severa. A região de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, está entre as mais afetadas, com treze municípios classificados em seca extrema, incluindo Guatapará, Cravinhos, Serrana, Serra Azul, Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa de Viterbo, Sertãozinho, Jardinópolis, Jaboticabal, Pitangueiras e Taquaral. Nas demais cidades da região, a condição é de seca severa.
Fatores climáticos e humanos: Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o número de municípios em situação crítica é 23 vezes maior que no mesmo período do ano anterior. O fenômeno climático El Niño, que aquece as águas do Pacífico, contribui para o cenário atual, mas as ações humanas também têm papel relevante. O professor e ambientalista Marcelo Pereira destaca que a devastação florestal e as queimadas, muitas vezes provocadas de forma criminosa para expansão agropecuária, têm desequilibrado o meio ambiente.
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Impactos ambientais e na saúde: O tempo seco facilita a propagação rápida dos incêndios, reduzindo ainda mais a umidade do ar, que na região está abaixo de 30%, muito inferior ao ideal de 60% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa condição prejudica a fauna e a flora locais, provocando fome, sede e perda de habitats, o que pode levar a uma redução irreversível da biodiversidade.
O combate aos incêndios exige a mobilização de diversas equipes, incluindo a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e o Grupo de Atuação Especial do Ministério Público (Gaem), responsável pela investigação ambiental. A promotora Claudia Bibi alerta que eventos climáticos extremos, como altas temperaturas, secas prolongadas e chuvas intensas, tendem a se tornar mais frequentes e intensos, agravando ainda mais a situação.
Orientações e medidas preventivas: Para minimizar os riscos, a população é orientada a evitar queimadas, limpeza de terrenos com fogo e o descarte inadequado de bitucas de cigarro, especialmente às margens de rodovias. Denúncias, mesmo anônimas, são fundamentais para o controle das ações criminosas que provocam incêndios.
A preocupação também se estende ao abastecimento público, já que a região enfrenta quase quatro meses consecutivos sem chuvas significativas. A economia de água torna-se essencial para garantir a segurança hídrica e evitar impactos econômicos e sociais decorrentes da escassez.
Entenda melhor
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, influenciando padrões climáticos globais e regionais, como a redução das chuvas no sudeste brasileiro. A combinação desse fenômeno com atividades humanas intensifica os efeitos da seca e dos incêndios na região.



