Cidade tem índice de arborização duas vezes abaixo do ideal e leis ineficientes para proteger o Aquífero Guarani
Ribeirão Preto enfrenta um desafio crucial: equilibrar o desenvolvimento urbano com a necessidade de áreas verdes. A legislação municipal estabelece um padrão de 15 metros quadrados de área verde por habitante, mas a realidade atual está muito aquém do ideal.
O Déficit de Áreas Verdes em Ribeirão Preto
Segundo Simone Candratavícios, da Associação Cultural e Ecológica para o Brasil, Ribeirão Preto não atinge sequer 4 metros quadrados de área verde por pessoa. Essa deficiência exige um plano de arborização municipal abrangente, conforme previsto na lei orgânica e no código municipal de meio ambiente.
Soluções e Desafios na Expansão das Áreas Verdes
O advogado Evandro Grili, especialista em direito ambiental, sugere condicionar a aprovação de novos empreendimentos a projetos paisagísticos que compensem áreas com déficit de arborização. No entanto, ele ressalta a dificuldade estrutural do poder público em implementar tais projetos, especialmente em áreas mais antigas da cidade, onde a urbanização intensa dificulta a criação de novos espaços verdes.
Leia também
Iniciativas Municipais e a Percepção da População
A administração municipal, por meio da Divisão de Planejamento e Educação Ambiental, distribui mudas de árvores e coordena projetos de incentivo ao plantio e manutenção. Dalila Cisneiros-Marzola, chefe da divisão, destaca a distribuição mensal de cerca de 3 mil mudas pelo Viveiro Municipal e o atendimento a pedidos de plantio em parceria com empresas, escolas e associações de bairros. Apesar dos esforços, a resistência da população em plantar árvores em frente às suas casas, devido à queda de folhas e preocupações com segurança, representa um obstáculo a ser superado.
A Proteção do Aquífero Guarani
Além da expansão das áreas verdes, a proteção das áreas de recarga do Aquífero Guarani é fundamental. Evandro Grili aponta que as leis municipais atuais dificultam a proteção efetiva do aquífero, uma vez que o judiciário baseia suas decisões na legislação de uso e ocupação do solo. Para garantir a proteção do aquífero, é necessário modificar a legislação municipal na Câmara dos Vereadores.
A superação desses desafios demanda um esforço conjunto da administração pública, especialistas e da população, visando um futuro mais verde e sustentável para Ribeirão Preto.



