Ribeirão Preto segue contabilizando os estragos causados pelo temporal que atingiu a cidade na madrugada de sexta-feira (24). A tempestade provocou danos em diferentes regiões do município, deixou milhares de imóveis sem energia elétrica e mobilizou ações dos governos municipal, estadual e federal.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou o envio de uma equipe da Defesa Civil Nacional para auxiliar o município após o decreto de estado de emergência. A confirmação ocorreu durante uma conversa por telefone com o prefeito Ricardo Silva (PSD), enquanto ele participava de uma coletiva para atualizar a situação da cidade.
Apoio
Alckmin afirmou que o governo federal vai atuar em conjunto com o município nas ações de resposta ao desastre, priorizando atendimento às famílias afetadas, ajuda humanitária e reconstrução das áreas atingidas.
“Primeiro, o mais importante, salvar vidas, ajuda humanitária e depois a reconstrução”, afirmou o vice-presidente.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também mobilizou equipes da Defesa Civil Estadual, do Fundo Social e da Secretaria da Saúde para apoiar Ribeirão Preto.
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O secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, esteve na cidade e confirmou a criação de um plano de contingência para garantir o atendimento de urgência e emergência nos hospitais da região. Procedimentos eletivos foram suspensos temporariamente e deverão ser reagendados.
Estragos
O temporal durou cerca de 30 minutos e foi provocado pela chegada de uma frente fria ao interior paulista, fenômeno que já vinha sendo acompanhado por meteorologistas desde o início da semana.
Além de Ribeirão Preto, cidades da região como Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis também registraram prejuízos. Em Pradópolis, as rajadas de vento ultrapassaram 120 km/h.
Em Ribeirão Preto, um idoso de 75 anos morreu após ser atingido pela estrutura de um galpão que caiu no Jardim Salgado Filho, na zona norte da cidade.
Outros pontos da cidade também foram afetados. No bairro Ipiranga, o tradicional pórtico da Avenida Dom Pedro desabou e atingiu um carro de aplicativo. Na zona oeste, parte da estrutura de uma academia caiu enquanto havia alunos no local.
Energia
O fornecimento de energia elétrica foi um dos principais impactos do temporal. Segundo a CPFL, 34 torres de transmissão foram derrubadas e cerca de 200 postes ficaram danificados.
No fim da tarde de sexta-feira, aproximadamente 40% da cidade, o equivalente a 130 mil imóveis, ainda permaneciam sem energia, incluindo locais importantes como o Terminal Rodoviário.
O presidente da CPFL, Rafael Lazaretti, informou que mais de 200 equipes foram mobilizadas para atuar na recuperação da rede elétrica.
“São 34 torres que caíram. Então a gente focou muito no restabelecimento dessas torres e também dos pontos prioritários, como hospitais e captação de água”, explicou.
A falta de energia também afetou o funcionamento de poços da SAERP, responsável pelo abastecimento de água. Por isso, a Defesa Civil orientou a população a economizar água e evitar deslocamentos sem necessidade.
Atendimento
A Polícia Militar reforçou o pedido para que moradores permaneçam em casa quando possível, principalmente devido aos problemas no trânsito causados por semáforos desligados e vias afetadas.
“Se não tiver que sair de casa, fique em casa, porque o trânsito está caótico por conta da sinalização semafórica”, afirmou o comandante do CPI-3, coronel Rodrigo Quintino.
Para atender moradores desalojados ou desabrigados, a Estação Cidadania, localizada na Avenida Ettore e Aurora Coraucci, na zona norte, foi preparada para receber famílias afetadas.
A EMF Virgílio Salata também foi mobilizada para atender moradores da comunidade Rio Pardo, uma das regiões mais atingidas, e passou a funcionar como ponto de arrecadação de donativos.
Até o início da noite de sexta-feira, 293 famílias haviam sido cadastradas pelas equipes de assistência social. A unidade também deve receber pessoas que precisam de acolhimento imediato.
Estão sendo arrecadados alimentos não perecíveis, água, roupas, cobertores, colchões e telhas. As doações podem ser entregues na EMF Virgílio Salata, na Rua Japurá, número 965, no Alto Ipiranga.
A Defesa Civil do Estado também anunciou o envio de ajuda humanitária com 200 cestas básicas, 400 cobertores, 30 caixas de roupas, cinco caixas de calçados, 200 kits de higiene e dois pallets de água mineral para as famílias atingidas.



