Previsão para os próximos meses é de superar a pior epidemia da história, de 2011, quando 23 mil pessoas ficaram doentes
Ribeirão Preto enfrenta uma grave epidemia de dengue, com números alarmantes já nos primeiros meses de 2016. Os casos confirmados superam as projeções iniciais e levantam preocupações sobre a real dimensão do problema.
A Explosão de Casos e a Confusão Diagnóstica
Em 2015, Ribeirão Preto registrou 5.200 casos de dengue ao longo de todo o ano. No entanto, apenas nos meses de janeiro e fevereiro de 2016, a cidade já contabiliza mais de 15.600 casos confirmados. Segundo o secretário municipal de saúde, Estênio Miranda, a epidemia atingiu níveis inesperados, superando as estimativas feitas no final do ano anterior.
Uma possível explicação para o grande número de casos de dengue pode estar relacionada à confusão no diagnóstico inicial das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. De acordo com Miranda, muitos casos notificados como dengue podem, na verdade, ser casos de zika. Essa sobreposição ocorre porque os profissionais de saúde, no momento do atendimento, nem sempre dispõem de elementos suficientes para distinguir as duas doenças, optando pelo diagnóstico mais comum, que é o de dengue.
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O Crescimento dos Casos Suspeitos e a Expectativa por Resultados Laboratoriais
Além dos casos confirmados, Ribeirão Preto contabiliza mais de 36 mil pessoas com sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Os exames laboratoriais desses casos suspeitos podem aumentar ainda mais os dados da epidemia quando os resultados forem divulgados.
Os casos suspeitos de zika vírus, por exemplo, apresentaram um aumento significativo de janeiro para fevereiro, saltando de 440 para 2.091. No entanto, até o momento, nenhum caso de zika foi confirmado em laboratório. Quanto aos casos suspeitos de chikungunya, a cidade registrou 106 ocorrências, também sem confirmação laboratorial até o momento.
Sinais de Esperança e a Continuidade das Ações de Combate ao Mosquito
Apesar do cenário preocupante, Estênio Miranda observa um crescimento menos intenso da epidemia nas últimas três semanas. Essa redução, em torno de 20% no número de casos, é um fato inédito e sugere que as ações adotadas e o engajamento da sociedade no combate ao mosquito Aedes aegypti estão surtindo efeito.
Os agentes municipais de vetores continuam realizando visitas domiciliares durante a semana, e os mutirões de limpeza, com recolhimento de lixo e entulho, permanecem aos sábados. O objetivo é eliminar possíveis criadouros do mosquito e conter a proliferação das doenças.
Embora o quadro ainda inspire cuidados, as medidas de combate ao mosquito e a conscientização da população parecem estar contribuindo para uma desaceleração da epidemia.



