Comparado ao mesmo período do ano passado, em que foram registrados 7 mortes, os números apontam um aumento de cerca de 60%
Relatório de órgãos de trânsito aponta aumento no número de mortes de motociclistas em Ribeirão Preto nos dois primeiros meses do ano. Segundo dados do Infociga, 11 motociclistas perderam a vida no período — média que equivale a uma vítima a cada menos de uma semana — ante sete óbitos registrados no mesmo intervalo do ano passado, alta de quase 60%.
Acidente com entregador reacende alerta
Entre os casos recentes, está o do entregador Johnny de Oliveira, que sofreu um acidente no fim de fevereiro. De acordo com o boletim de ocorrência, ele atravessava a rua João Fiusa quando foi atingido por um motorista que, segundo testemunhas, havia ingerido bebida alcoólica e avançado o sinal vermelho. Johnny passou seis dias internado e passou por cirurgia. “Não lembro, só lembro de ter saído do hospital. Mas o que me contaram foi muito grave”, relatou o entregador.
Especialistas cobram mudança de comportamento
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que a responsabilidade pelos acidentes é de todos que circulam pela cidade — pedestres e motoristas de carros, motos, caminhões e ônibus têm parcela de contribuição. O instrutor de trânsito Daniel Cássio de Assis enfatiza que cada vítima é alguém amado por outra pessoa e defende que nenhuma morte no trânsito deveria ser aceita. “Temos um código de trânsito que regula as normas. Infelizmente, os sinistros acontecem porque as pessoas não seguem o que está escrito. Enquanto não entenderem que a vida é frágil, voltaremos a falar dos mesmos cuidados”, afirmou.
Fiscalização aponta imprudência como causa principal
O gerente de fiscalização da RP Mob, Carlos Eduardo Raxissac, também relaciona a maioria das mortes à imprudência. Ele explica que, em situações de trânsito lento, motociclistas que circulam entre os veículos e fazem ziguezagues correm risco de atingir pedestres ou de se tornarem vítimas. A RP Mob informou ainda que mantém o programa “Siga Consciente”, voltado a jovens em escolas e empresas, como forma de prevenção.
Os dados e os relatos reforçam o apelo por medidas que vão além da fiscalização: a combinação de educação no trânsito, respeito às regras e mudança de comportamento é apontada por especialistas e agentes de fiscalização como essencial para reduzir as mortes nas vias da cidade.



