Maioria dos casos é de mulheres brancas, jovens e gestantes pela primeira vez
Entre 2011 e 2016, 36 mulheres morreram por complicações na gravidez em 26 cidades da região de Ribeirão Preto, segundo estudo da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto. A pesquisa revelou um perfil epidemiológico surpreendente, contrastando com dados nacionais.
Perfil das Vítimas e Diferenças Regionais
A maioria das vítimas era branca, estava em sua primeira gravidez, possuía alta escolaridade (8 anos ou mais de estudo) e era profissionalmente ativa. Este perfil difere da realidade nacional, onde a mortalidade materna atinge mais frequentemente mulheres negras de baixa renda e escolaridade. A pesquisadora Jenaína Tintore atribui a ocorrência de mortes em mulheres jovens ao ciclo reprodutivo, mesmo em casos de aparente boa saúde.
Causas e Prevenção de Mortes Maternas
As principais causas de mortes maternas na região, assim como no Brasil, foram hipertensão e hemorragia. A enfermeira obstetra Mariana Vitor Pepi destaca a importância do diagnóstico precoce da hipertensão gestacional (a partir da 21ª semana) e a atuação adequada da equipe médica durante o parto e pós-parto para prevenir hemorragias. Fatores como sedentarismo, aumento de peso e alimentação inadequada também contribuem para o aumento do risco, mesmo em mulheres aparentemente saudáveis.
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A professora Kelly Grasiani ressalta a importância dos cuidados com a saúde mental da gestante e o apoio familiar. A assistência adequada, desde o planejamento da gestação até o pós-parto, incluindo o acompanhamento do bem-estar físico e emocional, é crucial para reduzir a mortalidade materna.
O estudo, embora não apresente causas específicas para o perfil encontrado na região de Ribeirão Preto, sugere que a falta de qualidade de vida pode ter um impacto significativo. A prevenção passa por uma assistência integral à saúde da mulher, que contemple os aspectos físicos e emocionais, desde o planejamento familiar até o pós-parto.



