Ribeirão Preto registra dois afastamentos por dia de profissionais da educação
O debate sobre a saúde mental dos professores ganha destaque em meio ao encerramento do ano letivo, período de grande desgaste tanto para alunos quanto para educadores. Em Ribeirão Preto, o número de afastamentos de profissionais da educação por problemas de saúde mental tem chamado a atenção, com uma média de quase dois casos por dia.
O Sonho Desfeito e a Realidade da Sala de Aula
Uma professora, que preferiu não se identificar, compartilhou como a paixão inicial pela profissão se transformou em desânimo diante do desinteresse dos alunos e da falta de respeito em sala de aula. A frustração, combinada com as dificuldades diárias, contribui significativamente para o desenvolvimento de transtornos mentais.
Números Alarmantes e o Impacto na Educação
Dados da diretoria de perícias médicas do estado revelam que, entre janeiro e setembro deste ano, a região de Ribeirão Preto registrou 451 licenças médicas de professores da rede estadual devido a transtornos mentais e comportamentais. Esses afastamentos somaram quase 18 mil dias, com cada licença durando em média 39 dias. Em todo o estado de São Paulo, foram quase 25.700 licenças médicas de educadores, representando 95 afastamentos por dia.
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Causas e Possíveis Soluções
Especialistas apontam que a jornada excessiva, a desvalorização salarial, salas superlotadas, a contratação precária e a violência (física e psicológica) são fatores que contribuem para o desgaste mental dos professores. A falta de reconhecimento e o desinteresse dos alunos também pesam. Alessandro Suárez, do centro do professorado paulista, ressalta a importância do investimento em prevenção para garantir a saúde dos professores e evitar custos maiores para a educação.
A valorização profissional, ajustes na educação e melhorias salariais são medidas essenciais para garantir a saúde mental dos professores e, consequentemente, atrair novos talentos para a área.



