Ribeirão Preto já confirmou 93 casos de hepatite A em 2026, número que supera com folga os 13 registros contabilizados ao longo de todo o ano passado. O aumento acentuado levou a Secretaria Municipal de Saúde a emitir alerta e reforçar medidas de prevenção.
Em entrevista à CBN, a gerente da Vigilância Epidemiológica do município, Viviane da Mata Pasti Balbão, explicou que a maior concentração de casos está na faixa etária de 20 a 49 anos, grupo que não conta com vacinação de rotina pelo SUS.
Faixa etária
A hepatite A é uma doença infecciosa de transmissão fecal-oral. Tradicionalmente associada à infância, o cenário atual mostra mudança no perfil dos infectados.
Segundo a Vigilância Epidemiológica, embora haja casos em todas as idades, a maioria dos 93 confirmados está entre adultos de 20 a 49 anos, população que não recebeu a vacina na infância, já que a imunização pelo SUS é destinada a crianças de 15 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
A médica alerta que, apesar de a maioria dos casos evoluir bem e menos de 1% evoluir para forma grave, o aumento preocupa, especialmente pelo crescimento das internações e pelo risco para pessoas com doenças hepáticas prévias e idosos.
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Sintomas e riscos
Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como mal-estar, dor no corpo e sensação semelhante à gripe. Em parte dos casos, evoluem para náuseas, vômitos, diarreia e icterícia, coloração amarelada da pele e dos olhos. Um dos principais desafios é que a transmissão pode ocorrer antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
“Duas semanas antes dela começar com esses sintomas, ela já vai estar eliminando o vírus”, alerta Viviane.
O período de incubação pode chegar a 50 dias, o que prolonga o impacto da doença e exige atenção contínua das autoridades de saúde.
Prevenção e vacina
A principal forma de prevenção é a higiene rigorosa das mãos, especialmente antes das refeições e após o uso do banheiro, além da correta higienização dos alimentos. A recomendação é deixar verduras e legumes de molho por 15 minutos em solução com um litro de água e uma colher de sopa de água sanitária (cerca de 10 ml de hipoclorito de sódio).
A Secretaria também reforça a importância da vacinação infantil, já que a cobertura está abaixo do recomendado. Além das crianças, grupos com condições clínicas especiais podem receber a vacina conforme indicação dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
O alerta é para que a população não relaxe nos cuidados. “Não podemos baixar a guarda”, destacou a médica, reforçando que a adesão às medidas sanitárias é fundamental para conter o avanço da hepatite A no município.



