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Ribeirão Preto registra queda de mais de mil casos positivos de dengue nos primeiros dias de 2026

Cidade soma 317 notificações e três casos confirmados até 13 de janeiro; infectologista aponta fatores biológicos, vacinação e alerta para vigilância contínua
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Divulgação

Ribeirão Preto inicia 2026 com números mais baixos de dengue em comparação ao mesmo período do ano passado. Dados do painel da Prefeitura indicam 317 notificações e três casos confirmados até o dia 13 de janeiro. A zona Norte concentra o maior número de registros suspeitos, com 106 notificações.

No mesmo intervalo de 2025, o cenário era mais grave, com mais de mil casos confirmados e duas mortes pela doença. Apesar do início mais favorável, especialistas reforçam que o período chuvoso exige atenção redobrada da população para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Queda inicial

O infectologista Luís Felipe Visconde, do Hospital São Lucas, explica que a redução observada neste começo de ano segue um comportamento já descrito na literatura médica. Segundo ele, é comum a alternância entre anos com alta circulação do vírus e períodos de arrefecimento.

Esse movimento ocorre, principalmente, por dois fatores biológicos: o chamado esgotamento de suscetíveis, quando muitas pessoas já foram infectadas e desenvolvem imunidade, e a imunidade de rebanho, que dificulta a circulação do vírus na população. Ainda assim, o médico alerta que esse padrão é dinâmico e pode mudar com a introdução de novos sorotipos da dengue.

Vacinação

Além dos fatores naturais da doença, a vacinação também contribui para o cenário mais favorável. Em 2025, o Brasil passou a adotar a vacina contra a dengue no Sistema Único de Saúde, inicialmente voltada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo com maior risco para formas graves.

Para 2026, a expectativa é de avanço ainda maior. O país passa a contar com dois imunizantes, incluindo a vacina de dose única produzida pelo Instituto Butantan, que começa a ser distribuída em larga escala. A ampliação da cobertura vacinal é apontada como estratégica para reduzir casos e óbitos nos próximos anos.

Clima e vetor

Apesar do alívio inicial, Visconde reforça que o aumento das chuvas pode mudar rapidamente a curva da doença. A proliferação do Aedes aegypti tende a crescer cerca de duas semanas após períodos de chuva intensa, o que exige monitoramento constante.

As mudanças climáticas também preocupam especialistas, já que favorecem a adaptação do mosquito a diferentes ambientes, inclusive em países onde ele não era comum. Por isso, ações de vigilância, controle de criadouros e uso de novas tecnologias, como mosquitos modificados em laboratório, seguem sendo fundamentais.

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