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Ribeirão Preto registra recorde de matrículas de alunos com autismo na rede estadual

Com aumento de quase 30% nas matrículas em 2025, famílias celebram avanços, mas ainda enfrentam desafios
Matrículas alunos com autismo
Com aumento de quase 30% nas matrículas em 2025, famílias celebram avanços, mas ainda enfrentam desafios

Com aumento de quase 30% nas matrículas em 2025, famílias celebram avanços, mas ainda enfrentam desafios

O número de alunos autistas matriculados na rede estadual de ensino teve um aumento significativo este ano, com um crescimento de quase 30%. Este avanço é notável, mas a inclusão escolar ainda enfrenta desafios importantes. A história de Gustavo Salgado ilustra bem essa realidade.

A Luta por Apoio Educacional

Gustavo, um jovem de 14 anos dedicado e concentrado, está no quinto ano do ensino fundamental. Para sua família, a escola sempre representou um dilema. Sua mãe, Suélen Salgado, relata que desde 2018 enfrenta uma batalha para garantir o apoio educacional adequado para o filho, que é autista. A necessidade de um professor de apoio e um cuidador só foi atendida por meio de liminar, e mesmo assim, houve momentos em que esse direito garantido por lei não foi assegurado.

Conquistas e Desafios Persistentes

Tássia Santoro, coordenadora pedagógica da Associação de Amigos dos Autistas de Ribeirão Preto, reconhece as muitas conquistas alcançadas ao longo do tempo, mas ressalta que os desafios continuam. Para ela, a conscientização deve abranger toda a comunidade. Uma das maiores conquistas foi a oferta de profissionais de apoio, mas ainda é necessário melhorar a quantidade desses profissionais. Os números refletem os avanços dos últimos anos: até setembro de 2025, foram registrados mais de 38 mil alunos autistas na rede estadual de ensino, um aumento de 27% em relação ao ano anterior, representando a maior quantidade desde 2021.

Estratégias e Legislação em Favor da Inclusão

Michela Brunelli, psicopedagoga, explica que o aumento no número de matrículas reflete um trabalho contínuo. Ela destaca o uso de jogos para desenvolver funções cognitivas e habilidades essenciais como leitura, escrita e interpretação textual. No estado de São Paulo, a lei garante que alunos com autismo recebam apoio especializado e material didático adaptado, tanto em escolas públicas quanto particulares. Além disso, o Protocolo Individualizado de Avaliação (PIA) é um plano de adaptação escolar, e uma lei de 2023 determina a presença de um professor de apoio para cada estudante autista em sala de aula. As instituições de ensino devem adaptar avaliações e materiais para facilitar o aprendizado.

A Secretaria Estadual de Educação oferece suporte por meio de comissões de recursos pedagógicos e acessibilidade em cada diretoria de ensino. Para garantir os direitos previstos em lei, os responsáveis devem solicitar o PIA à escola, acompanhado de laudo médico, RG com indicação da deficiência e a carteirinha de identificação da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Suélen Salgado, emocionada, celebra a evolução de Gustavo e expressa o desejo de que ele aprenda tudo o que é capaz e realize seu sonho de ser professor, buscando sempre sua felicidade e autonomia.

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