No Dia Mundial do Cérebro, especialistas reforçam a importância do diagnóstico rápido do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e destacam o papel de Ribeirão Preto como referência nacional no tratamento da doença. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMRP-USP) é um dos principais centros do país na realização da trombectomia mecânica, procedimento que revolucionou o atendimento aos pacientes vítimas de AVC isquêmico.
A técnica permite retirar diretamente o coágulo que bloqueia uma artéria cerebral, restabelecendo o fluxo sanguíneo em poucos minutos. Segundo especialistas, quanto mais rápido o procedimento é realizado, maiores são as chances de recuperação sem sequelas.
Procedimento
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice), Lucas Moretti, a trombectomia mecânica é realizada por meio de cateteres introduzidos até a circulação cerebral para remover o coágulo que provoca o AVC.
O médico explica que o trombo pode ser aspirado ou retirado com dispositivos específicos, permitindo a retomada da circulação no cérebro. Quando o tratamento ocorre rapidamente, o paciente pode recuperar completamente as funções neurológicas.
Segundo Moretti, a trombectomia foi um divisor de águas porque, antes do desenvolvimento da técnica, praticamente não existia um tratamento capaz de desobstruir uma artéria cerebral dessa forma.
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“Quanto mais rápido você conseguir retomar a circulação cerebral, melhor vai ser para o paciente recuperar os sintomas e, eventualmente, ficar sem sequelas.”
HC de Ribeirão
Muito antes da incorporação da trombectomia ao Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto já desenvolvia pesquisas sobre o procedimento.
O neurointervencionista e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Daniel Abud, afirma que o grupo publicou, em 2011, um dos primeiros estudos científicos do país apresentando os resultados da técnica. Em 2020, pesquisadores brasileiros divulgaram um estudo randomizado sobre o procedimento, também com participação do HC.
Hoje, o hospital atende pacientes do SUS de toda a região, contando com uma estrutura especializada que funciona 24 horas por dia. O tratamento envolve neurologistas, radiologistas intervencionistas, enfermagem, equipe de hemodinâmica e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), garantindo atendimento rápido aos casos de emergência.
Agilidade
A enfermeira Andrisa Lopes conhece de perto a importância desse atendimento. Ela sofreu dois AVCs e foi submetida à trombectomia mecânica nas duas ocasiões.
Segundo ela, o atendimento foi realizado em menos de 30 minutos após chegar ao hospital. Hoje, leva uma vida normal, trabalha, dirige, estuda e afirma que o procedimento foi determinante para evitar sequelas.
Após o primeiro AVC, Andrisa descobriu que possui uma doença rara responsável pela formação de coágulos. Ela destaca que reconhecer os sintomas rapidamente e procurar atendimento imediato foi essencial para sua recuperação.
“A identificação rápida e o encaminhamento imediato ao hospital fazem muita diferença. Isso evita um número muito grande de sequelas.”
Saiba reconhecer
Os especialistas alertam que o AVC nem sempre provoca dor, o que faz muitas pessoas demorarem para buscar ajuda.
Entre os principais sinais estão:
- perda repentina da força ou dos movimentos de um lado do corpo;
- dificuldade para falar;
- perda súbita da visão;
- dor de cabeça intensa e inesperada;
- perda de consciência.
Ao identificar qualquer um desses sintomas, a recomendação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O encaminhamento rápido para um hospital preparado aumenta significativamente as chances de recuperação.
“Se você tem sintomas abruptos, como perda visual, dificuldade para falar, perda de força ou uma dor de cabeça muito forte, não demore. Ligue para o SAMU. Pode ser um AVC.”, orienta o médico Daniel Abud.
No Dia Mundial do Cérebro, os especialistas reforçam que a informação é uma das principais ferramentas para salvar vidas. Com o avanço da radiologia intervencionista e a estrutura disponível em centros especializados como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, cada minuto pode representar a diferença entre uma recuperação completa e sequelas permanentes.



