Pesquisador e professor, Vitor Engracia Valenti, acredita que a cidade possa ter alcançado o pico da doença
Nesta entrevista, discutimos o avanço e possível pico da varíola dos macacos em Ribeirão Preto e São Paulo. O professor Vítor Engraça Valente, pesquisador da UNESP, analisou dados epidemiológicos, indicando uma tendência de queda nos casos, com a taxa de contágio abaixo de 1. Essa tendência é corroborada por observações em outros países, como Inglaterra e outros na Europa.
Tendência de Queda e Fatores Contribuintes
Segundo o professor, a análise matemática dos dados de Ribeirão Preto e São Paulo sugere que o pico da doença foi atingido. A tendência de queda se mostra consistente, com os números subindo e descendo com menor intensidade a cada vez. A taxa de contágio abaixo de 1 reforça essa perspectiva otimista, indicando que cada pessoa infectada transmite a doença para menos de uma pessoa.
Prevenção e Erradicação
Embora a erradicação da varíola dos macacos seja considerada difícil a curto prazo, o professor destaca a importância das medidas preventivas: isolamento de pessoas com sintomas, busca por atendimento médico e a vacinação para aqueles que tiveram contato próximo com infectados. Ele compara a situação com o impacto das medidas preventivas contra a COVID-19, que possivelmente contribuíram para a erradicação de uma linhagem do vírus influenza tipo B. A vacinação, diferente da campanha contra a COVID-19, é focada em pessoas com contato próximo a casos confirmados.
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Cenário Atual e Preocupações com a Poliomielite
O professor considera improvável uma epidemia ou pandemia de varíola dos macacos, dada a dificuldade de transmissão em comparação com doenças respiratórias e a tendência de queda nos casos. No entanto, ele alerta para a importância do monitoramento contínuo e da conscientização para evitar a subnotificação. A entrevista também aborda a preocupante baixa cobertura vacinal contra a poliomielite em São Paulo (49,2%), com Ribeirão Preto em 46,3%, muito abaixo da meta de 95%. A prorrogação da campanha de vacinação contra a poliomielite destaca a necessidade de imunização coletiva para evitar o retorno dessa doença erradicada no Brasil há décadas. O alerta se estende à necessidade de vacinação infantil, com o risco de ressurgimento da doença, como demonstrado por situações em Nova Iorque e Londres.



