Cetesb qualificou o ar da região como ‘muito ruim’; situação prejudica a saúde e piora o impacto com os incêndios e a secura
Ontem, Ribeirão Preto registrou uma temperatura de 35 graus Celsius, Ribeirão Preto tem o pior índice de qualidade do ar de todo o estado de São Paulo, com previsão de repetir o mesmo índice para hoje. A umidade relativa do ar despencou para 13%, caracterizando um cenário quase desértico, o que favorece a ocorrência de incêndios na região. Segundo dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a qualidade do ar na cidade está classificada como muito ruim, sendo a única do interior paulista a atingir esse nível. A Cetesb alerta que o índice pode piorar, chegando ao nível péssimo, o mais grave na escala de qualidade do ar.
Condições climáticas e ambientais: A baixa umidade relativa do ar, combinada com a falta de chuvas e os incêndios florestais, contribuem para a deterioração da qualidade do ar em Ribeirão Preto. A fumaça proveniente das queimadas forma uma camada espessa de poluição, visível no horizonte, que altera a coloração do céu e aumenta a concentração de material particulado suspenso na atmosfera. A professora Lúcia Campos, do Departamento de Química Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), explica que esse material particulado é muito fino e inalável, capaz de se depositar em móveis e ser percebido visualmente devido à alta concentração na região.
Impactos na saúde pública: O médico pneumologista Júlio César Bruno alerta para os efeitos nocivos desse cenário para a saúde humana. O material particulado em suspensão, especialmente o micro-particulado, pode causar lesões inflamatórias nas vias aéreas superiores, olhos e pele. Além disso, ao ser inalado, esse material é absorvido pelo pulmão e entra na corrente sanguínea, provocando uma reação inflamatória sistêmica que afeta não apenas o sistema respiratório, mas também o aparelho circulatório.
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Essa inflamação generalizada aumenta a incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares. O médico destaca que os efeitos adversos podem se prolongar por um longo período após a exposição, tornando o problema ainda mais preocupante. Segundo ele, a população mais vulnerável são crianças, lactentes, idosos e pessoas com comorbidades, como doenças respiratórias e metabólicas pré-existentes.
Vulnerabilidade de grupos específicos: A amplitude térmica significativa, com temperaturas que variam de 35 graus durante o dia a cerca de 15 graus à noite, associada à baixa umidade do ar, gera estresse orgânico em toda a população, mas especialmente nos grupos mais sensíveis. Cidades próximas, como Barretos, registram umidade relativa ainda menor, em torno de 10%. O pneumologista enfatiza a necessidade de atenção redobrada para esses grupos, que são os mais afetados pelas condições climáticas adversas e pela poluição atmosférica.
Entenda melhor
A Cetesb realiza o monitoramento da qualidade do ar considerando as últimas 24 horas. O índice de qualidade do ar varia de bom a péssimo, sendo que níveis muito ruins e péssimos indicam riscos significativos para a saúde da população. A combinação de fatores como baixa umidade, altas temperaturas e queimadas intensifica a concentração de poluentes atmosféricos, agravando o quadro de saúde pública.



