Nos últimos cinco anos foram 31 mortes na cidade; pior ano foi 2011, quando Ribeirão teve uma epidemia e 12 morreram
Ribeirão Preto registra quatro mortes suspeitas por dengue neste ano, reacendendo o debate sobre a eficácia do tratamento e a urgência de medidas preventivas. Entre os casos, destaca-se a história de um pintor de 51 anos, cuja família alega negligência no atendimento médico.
A Busca por Tratamento e a Trágica Evolução
Sérgio Luiz Silveira Martins, o pintor, procurou a UPA da 13 de Maio com sintomas como febre, mal-estar e dores no corpo. Segundo seu irmão, Ricardo Eduardo Silveira Martins, o tratamento inicial consistiu em dipirona e soro caseiro. A família argumenta que, apesar dos sinais de dengue hemorrágica, o caso foi erroneamente diagnosticado como dengue comum. “Foi aplicado o soro e pediram para ele ir para casa tomar soro caseiro, onde algumas horas depois ele veio a falecer com todos os sintomas da dengue hemorrágica”, relata Eduardo.
Acusações de Erro de Diagnóstico e Ações Legais
O atestado de óbito apontou edema pulmonar grave e síndrome febril hemorrágica. A família aguarda os resultados do Instituto Adolfo Lutz para confirmar a causa da morte e planeja processar a prefeitura. “A minha família vai processar a prefeitura por erro de diagnóstico, porque o erro de diagnóstico gera a recomendação de um tratamento ineficaz e tira da pessoa toda a chance de sobrevivência”, afirma o advogado Ricardo Eduardo Silveira Martins. A família enfatiza que Sérgio apresentava sintomas de febre hemorrágica, mas foi tratado como um caso comum de dengue, recebendo um tratamento inadequado.
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Panorama da Dengue em Ribeirão Preto e Medidas Adicionais
Nos últimos cinco anos, Ribeirão Preto registrou 31 mortes por dengue, com um pico de 12 óbitos em 2011, durante a maior epidemia da doença na cidade. Em 2013, foram seis mortes, e no ano anterior, quatro. O médico sanitarista A. Mauri Leles pondera que, embora cada morte seja lamentável, o número de casos no Brasil é relativamente menor em comparação com países do Sudeste Asiático. A Secretaria Municipal de Saúde informou que todos os casos de mortes suspeitas estão sendo analisados, mas não estabeleceu um prazo para a divulgação dos resultados, devido à complexidade dos exames e à necessidade de avaliação da evolução clínica dos pacientes. Como medida preventiva, agentes municipais de saúde receberão um salário extra para trabalhar aos sábados, com recursos provenientes do fundo estadual de saúde, visando intensificar o combate ao Aedes aegypti.
A situação em Ribeirão Preto serve de alerta para a importância do diagnóstico preciso e do tratamento adequado da dengue, bem como da necessidade de investimentos contínuos em prevenção e controle da doença.


