Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
O aumento do limite para empréstimos consignados, que havia sido aprovado pelo Congresso, sofreu um veto presidencial, gerando debates sobre seus impactos na economia e no orçamento familiar. A proposta elevava o teto de endividamento de 30% para 40% do salário, mas a presidente da época argumentou que a medida poderia aumentar a inadimplência e prejudicar o controle da inflação.
Aumento da Procura por Crédito e Dificuldades na Aprovação
Mesmo antes da decisão final, bancos e financeiras já registravam um aumento na procura por crédito. Em Ribeirão Preto, uma representante de uma financeira local, Giselle Carolina de Fácio, relata que muitos clientes buscam informações sobre o aumento do limite, mas enfrentam dificuldades na aprovação. Segundo ela, a maioria dos créditos é negada pelos bancos, mesmo com a divulgação de margens maiores. A representante explica que o cliente chega com a informação de que possui uma margem maior, mas, na prática, o banco nega o empréstimo.
Renegociação de Dívidas e Ações Judiciais
A situação se agrava para quem já renegociou dívidas. Juscelino Francisco da Silva, de 59 anos, relata que a nova proposta de renegociação tornou-se impagável e pretende recorrer à justiça. Ele exemplifica que, após pagar cinco parcelas de um empréstimo, a financeira propôs aumentar o número de parcelas e, consequentemente, o valor total a ser pago.
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Aposentados e a Armadilha do Crédito Fácil
Aposentados, muitas vezes atraídos pela facilidade do crédito, acabam encontrando soluções difíceis. Antônio Maciel da Silva Filho, de 75 anos, relata que foi ao banco buscando um empréstimo consignado pelo INSS, mas acabou contratando também um empréstimo pelo Banco do Brasil sem ser informado. Agora, enfrenta duas dívidas que comprometem grande parte de sua aposentadoria.
Apesar dos desafios, alguns consumidores têm buscado alternativas para equilibrar suas finanças. Gracinda Batista da Silva, funcionária pública, conseguiu quitar dois empréstimos em bancos diferentes ao negociar uma dívida única com uma prestação menor. Atitudes como a de Gracinda podem contribuir para a melhora dos indicadores de inadimplência.
Inadimplência em Queda e Consumidor Mais Consciente
Dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) indicam que a inadimplência do consumidor em Ribeirão Preto apresentou queda em abril, tanto na comparação mensal quanto anual. O economista Flávio Calife destaca que esses números são positivos, principalmente em relação ao restante do país. Ele também observa que o consumidor tem se mostrado mais cauteloso e consciente em relação ao consumo e à tomada de novas dívidas.
O cenário aponta para uma combinação de fatores, como o veto ao aumento do limite de empréstimos consignados e a maior cautela dos consumidores, que podem influenciar os números da inadimplência no país.



