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Rio Piracicaba registra, novamente, milhares de peixes mortos

Investigações apontam que a principal suspeita é o despejo de dejetos feitos por uma usina de açúcar e álcool
Rio Piracicaba registra
Investigações apontam que a principal suspeita é o despejo de dejetos feitos por uma usina de açúcar e álcool

Investigações apontam que a principal suspeita é o despejo de dejetos feitos por uma usina de açúcar e álcool

Mais uma vez, centenas de milhares de peixes foram encontrados mortos no Rio Piracicaba, Rio Piracicaba registra, novamente, milhares de peixes mortos, em uma área de proteção ambiental conhecida como Pantanal Paulista, localizada entre os municípios de Piracicaba e São Pedro, no interior do estado de São Paulo. A mortandade atinge principalmente o trecho do rio conhecido como Tanquã, onde a quantidade de peixes mortos formou um grande bolsão, dificultando até a visualização da água e provocando forte odor no local.

Os pescadores da região, Rio Piracicaba registra, novamente, milhares de peixes mortos, que vivem da pesca há décadas, relatam o impacto devastador do fenômeno. José Veronês, morador da beira do rio há 30 anos, afirmou que a situação é uma tristeza profunda, pois muitas famílias dependem do rio para sua subsistência e o retorno da vida aquática pode levar muitos anos. As espécies mais afetadas são o dourado e o curimba, além de outras como pacu, jorpecém, piapara e mandi.

Origem da mortandade: Investigações realizadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indicam que o desastre ambiental foi causado pelo despejo irregular de resíduos industriais provenientes da Usina de Açúcar e Álcool São José, localizada em Rio das Pedras, a cerca de 60 quilômetros de São Pedro. Os produtos lançados no rio reduziram significativamente a quantidade de oxigênio dissolvido na água, provocando a morte dos peixes.

Segundo Adriano Queiroz, diretor de controle e licenciamento da Cetesb, as análises confirmaram a relação de causalidade entre o despejo dos resíduos e a mortandade, que inicialmente resultou na retirada de cerca de três toneladas de peixes. A extensão do fenômeno surpreendeu as autoridades, que observaram a propagação dos peixes mortos ao longo do rio até o Tanquã, área de proteção ambiental.

Repercussão e investigação judicial: O Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), também investiga o caso como crime ambiental. O promotor Ivan Castanheiro explicou que a usina alega que o extravasamento ocorreu devido ao rompimento de um cano e que a quantidade liberada não seria suficiente para causar a mortandade. No entanto, o primeiro relatório da Cetesb aponta para a existência de uma relação direta entre o derramamento e o impacto ambiental.

O Ministério Público aguarda laudos complementares para aprofundar a investigação e pretende responsabilizar criminalmente a empresa, buscando reparação por danos materiais e morais à coletividade.

Impactos ambientais e sociais: O engenheiro ambiental Alan Duarte destacou que o impacto da poluição no Rio Piracicaba afeta não apenas a fauna aquática, mas todo o bioma local, incluindo aves e outros organismos. Ele ressaltou que, embora os danos possam ocorrer rapidamente, a recuperação ambiental pode levar décadas.

Os pescadores Everton Chagas e Bruno Zacarias também expressaram indignação, afirmando nunca terem presenciado uma situação semelhante. Eles ressaltaram que o despejo de resíduos tem destruído a vida no rio e comprometido a sobrevivência das comunidades locais.

Medidas adotadas e posicionamentos: A Prefeitura de Piracicaba informou que está organizando reuniões com órgãos ambientais para elaborar um plano de remoção dos resíduos e recuperação da área afetada. A Usina São José, por sua vez, declarou que a causa da mortandade é desconhecida e que não pode ser atribuída à empresa. A usina afirmou que técnicos da Cetesb realizaram cinco inspeções sem identificar a origem do problema e que está colaborando com as investigações conduzidas pela Cetesb, Polícia Ambiental e Ministério Público.

Enquanto isso, os trabalhos de limpeza e remoção dos peixes mortos continuam no Tanquã, onde o odor forte e o cenário de devastação preocupam moradores e autoridades. A situação é especialmente grave para as famílias que dependem da pesca no rio para sua subsistência, tornando o momento ainda mais delicado.

Entenda melhor
  • O Rio Piracicaba é um dos principais rios do estado de São Paulo e possui áreas de proteção ambiental importantes, como o Pantanal Paulista e o trecho do Tanquã.
  • A mortandade de peixes foi causada por despejo irregular de resíduos industriais, que reduziram o oxigênio na água, segundo análises da Cetesb.
  • O Ministério Público investiga o caso como crime ambiental e busca responsabilização da usina envolvida.
  • O impacto ambiental é grave e pode levar décadas para que o ecossistema se recupere, afetando também a economia local baseada na pesca.

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