Ouça o segundo bloco do programa de 18 de outubro
Estamos de volta com o nosso CBN Esportes especial deste sábado. Hoje, temos a honra de receber Roberto Rivelino, uma figura icônica do futebol brasileiro, para uma conversa franca e reveladora.
A Surpreendente Origem Palmerense de Rivelino
Para muitos torcedores do Corinthians, a ideia de Rivelino ter começado sua trajetória como palmeirense pode soar como um absurdo. No entanto, em 1962, aos 16 anos, Roberto e toda a sua família eram fervorosos torcedores do Palmeiras. A história por trás dessa ligação é curiosa e remonta aos tempos em que Rivelino brilhava no futebol de salão pelo clube Banespa.
Seu talento chamou a atenção de um diretor do Palmeiras, que o convidou para treinar no clube. Apesar da oportunidade, Rivelino não se sentiu bem recebido e acabou recusando a proposta. Coincidentemente, após uma partida decisiva no Parque Antártica, Mário Travaglini, então no Corinthians, o reconheceu e o convidou para treinar no clube alvinegro. A recepção calorosa e o ambiente acolhedor o conquistaram, selando seu destino no Corinthians.
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A Chegada ao Corinthians e a Ascensão no Futebol
A chegada de Rivelino ao Corinthians foi marcada por uma recepção calorosa, como se estivesse entrando em sua própria casa. Ele foi integrado diretamente ao time juvenil, onde logo se destacou. Sua habilidade e talento o levaram rapidamente ao time aspirante e, em seguida, ao profissional, sob o comando de Paulo Amaral. A partir daí, sua carreira decolou, tornando-o um dos maiores ídolos da história do clube.
Em 1964, Roberto Belangero, então treinador do Corinthians, reconheceu o potencial de Rivelino, mas ponderou sobre o momento certo para lançá-lo no time principal. A paciência e a sabedoria do treinador permitiram que Rivelino se desenvolvesse no time aspirante, onde se sagrou campeão em 1965. Sua estreia no profissional aconteceu sob o comando de Osvaldo Brandão, em um jogo contra o Santa Cruz, marcando o início de uma trajetória vitoriosa.
O Legado de Rivelino e a Crise dos Meias no Futebol Brasileiro
Rivelino disputou 473 jogos pelo Corinthians, marcando 144 gols. Sua habilidade na armação de jogadas e sua precisão nos chutes de falta o consagraram como um dos maiores jogadores de sua geração. No entanto, ele lamenta a atual crise dos meias no futebol brasileiro, que prioriza a marcação em detrimento do talento e da criatividade.
Segundo Rivelino, a preocupação excessiva com a marcação tem sufocado o surgimento de novos talentos e transformado o meio-campo em um setor dominado por volantes. Ele critica a falta de ousadia dos treinadores, que preferem escalar times com três ou quatro volantes em vez de apostar em jogadores criativos e habilidosos.
A conversa com Rivelino nos leva a refletir sobre a importância de valorizar o talento e a criatividade no futebol brasileiro. Sua história inspiradora e sua visão crítica nos mostram que é possível resgatar a essência do nosso futebol, que sempre foi marcado pela arte e pela habilidade.



