Mesmo com pista dupla e bem sinalizada, a via lidera as estatísticas; maior parte das batidas é causada pela imprudência
Mais um acidente com vítima fatal elevou para três o número de mortes na rodovia Braun Assede nos primeiros meses deste ano, segundo registros locais. A estrada, que liga Ribeirão Preto a cidades como Serra Azul, Serrana e Cajuru e segue em direção a Minas Gerais, aparece como a rodovia com mais óbitos na região em 2024.
Acidentes registrados
O primeiro óbito ocorreu em janeiro, quando um motociclista atropelou duas capivaras perto da entrada de Serrana. Em fevereiro, um jovem de 23 anos, identificado como Marcos Pedro Barbosa, entregador, colidiu com a traseira de um caminhão na mesma região e morreu. A terceira morte foi registrada no último domingo: uma mulher ainda não identificada foi atingida por um carro logo na saída de Ribeirão Preto. O motorista afirmou que foi surpreendido pela presença da mulher no meio da pista; ela não chegou a ser socorrida e o caso segue sob investigação.
Fatores de risco e recomendações
O trecho é, em sua maior parte, pista dupla, com limite de velocidade de 100 km/h, e apresenta longas retas que podem favorecer a sensação de segurança e o excesso de velocidade. O engenheiro e especialista em tráfego Fernando Velásquez aponta para a falta de proteções de acesso à pista, tanto para animais quanto para pedestres, como agravante. Segundo ele, a presença de indústrias, fazendas e pontos de ônibus em ambos os lados da rodovia aumenta o fluxo de travessias.
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Velásquez recomenda medidas de engenharia viária, como instalação de passarelas, gradis no canteiro central e ampliação da fiscalização por radares — hoje existe apenas um equipamento entre Ribeirão Preto e Cajuru — para reduzir a exposição dos condutores e inibir a imprudência.
Ações do poder público
Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que investiga as possíveis causas dos acidentes e que novos radares devem entrar em operação até o fim do ano nas rodovias monitoradas pela instituição. O órgão também afirmou que realiza trabalhos de manutenção e que a via está em boas condições de conservação.
Especialistas consultados destacam que a combinação entre obras de proteção, maior fiscalização e mudanças de comportamento dos motoristas será fundamental para reduzir o número de acidentes e mortes na rodovia.



