Aprovada em 2015, medida entra em vigor em julho; estima-se que no Brasil, entre 6% e 8% das crianças sofrem com alergias
A partir de 3 de julho, uma nova resolução impactará diretamente a vida de milhões de brasileiros que sofrem com alergias alimentares. A medida, aprovada há quase um ano, obriga a indústria alimentícia a informar de forma clara e visível nas embalagens dos produtos a presença de 17 ingredientes alergênicos, incluindo trigo, crustáceos, ovos, peixes, amendoim, amêndoa e avelã. Essa mudança visa facilitar a identificação de potenciais riscos e garantir a segurança alimentar dos consumidores.
O Impacto da Nova Rotulagem
Para pessoas como a dentista Rosa Arome Wenich, que possui alergia severa a camarão, a nova regra representa um alívio significativo. A alergia de Rosa é tão intensa que o simples contato com o crustáceo pode desencadear reações graves, exigindo atendimento médico imediato. A falta de informações claras nos rótulos dos produtos industrializados sempre foi um obstáculo para ela, tornando a tarefa de escolher alimentos seguros uma verdadeira maratona. Agora, com a obrigatoriedade da informação sobre a presença de crustáceos e seus derivados, Rosa espera ter mais segurança e autonomia na hora de fazer suas compras.
Detalhes da Regulamentação
A nova regulamentação estabelece que a informação sobre os alergênicos deve ser apresentada de forma legível, em negrito, com letras maiúsculas e em cor contrastante ao fundo da embalagem. O tamanho mínimo das letras deve ser de 2 milímetros, garantindo a visibilidade da informação. A localização da informação deve ser logo abaixo da lista de ingredientes. A servidora pública Marcia Maria de Aguiar, cujo filho possui intolerância à lactose, também celebra a medida, destacando a importância da clareza nas informações para quem precisa evitar determinados ingredientes.
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Alergias Alimentares no Brasil: Um Problema de Saúde Pública
Dados do Ministério da Saúde revelam a dimensão do problema das alergias alimentares no Brasil. Entre 2010 e abril deste ano, foram registrados 3.444 atendimentos no SUS (Sistema Único de Saúde) relacionados a alergias alimentares, sendo que 705 casos necessitaram de internação devido à gravidade das reações. A médica gastropediata Lenora Gandolfi ressalta a importância da nova rotulagem para facilitar a vida de pais e crianças alérgicas, que muitas vezes enfrentam dificuldades na hora de identificar ingredientes alergênicos nos produtos.
A medida representa um avanço importante na proteção dos direitos dos consumidores e na promoção da saúde pública, garantindo que as pessoas com alergias alimentares possam fazer escolhas mais conscientes e seguras.



