Na coluna ‘CBN Cidades e Suas Histórias’, Adriana Silva faz uma homenagem ao escritor, que nos deixou na última quinta-feira (4)
Rubens Lucchetti, nascido em Santa Rita do Passa Quatro e radicado nos últimos anos em Jardinópolis, faleceu na semana passada. Figura influente nas letras e na cultura popular brasileira, Lucchetti deixou um legado que atravessa gêneros — do terror à animação — e provocou manifestações de pesar em instituições e colegas.
Trajetória e último período
Lucchetti passou seus últimos anos no interior de São Paulo. A Fundação Livro e Leitura de Ribeirão Preto tentou organizar uma homenagem há dois ou três anos, mas, diante das limitações físicas do escritor, a família decidiu não expor o autor a esse esforço emocional. A instituição lamentou não ter conseguido prestar a homenagem como desejava.
Produção literária e influência no gênero do terror
Considerado um nome de referência no terror, Rubens Lucchetti teve uma produção extensa: reportagens internacionais chegaram a registrar mais de mil títulos atribuídos ao autor, o que o colocava como referência, inclusive no exterior. Colegas e interlocutores destacam que o Brasil perde duas figuras importantes com as recentes mortes de nomes do circuito cultural, e que Lucchetti ocupava lugar de destaque nesse cenário.
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Pioneirismo na animação e outras parcerias
Além da literatura de terror, Lucchetti participou de projetos pioneiros na animação ao lado do imigrante italiano Bassano Vacarini. Em imagens e estudos preservados em bibliotecas internacionais aparece o trabalho conjunto dos dois: Vacarini desenhando quadro a quadro e Lucchetti propondo mecanismos para imprimir movimento às imagens. Essa colaboração é citada em obras sobre a história do desenho animado e reforça o papel dos dois como pioneiros na área.
Lucchetti também escreveu roteiros para cinema e adaptações. Um de seus textos, El Dorado — A Saga do Café, foi transformado em radionovela por volta de 2000–2001 e, anos depois, ganhou nova circulação ao ser disponibilizado em versão web por iniciativa de uma universidade de Londrina, com base no texto original do autor.
O escritor mantinha relações próximas com produtores e roteiristas da região, como José Mogi Camarin e o conhecido como José do Cachão, com quem partilhou trocas criativas que impulsionaram produções e a circulação de obras locais.
Rubens Lucchetti deixa uma obra multifacetada e um vazio na cultura regional e nacional. Sua atuação em diferentes mídias e a influência sobre colegas e gerações futuras permanecem como parte do patrimônio cultural que atrásra cabe à comunidade preservar e celebrar.