Condição é crônica e pode causar dor e inchaço; quem fala sobre o assunto é Cristina Trovó no ‘CBN Nutrição’
O lipedema — caracterizado pelo acúmulo de gordura nas pernas, coxas e quadris que afeta principalmente mulheres — provoca dor, inchaço e impacto psicológico. Em entrevista, a nutricionista Cristina Trovó explica as características da doença, sua relação com alterações hormonais e as opções para controle dos sintomas.
O que é o lipedema e como se manifesta
O lipedema é uma condição crônica em que há depósito anormal de gordura em regiões como pernas, coxas, quadril e, por vezes, braços. A nutricionista Cristina Trovó afirma que a doença é mais comum em mulheres e costuma surgir em períodos de mudanças hormonais, como gravidez e menopausa. Além do aumento de volume, o tecido afetado apresenta fibras entremeadas à gordura e sensibilidade ao toque, o que explica a dor e o desconforto relatados por pacientes.
O quadro evolui em estágios — do inchaço localizado inicial à irregularidade da textura da pele, passando por deformações mais acentuadas até o comprometimento do sistema linfático no estágio avançado — e pode trazer sofrimento emocional importante para quem convive com a condição.
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Tratamento e abordagem multidisciplinar
Não há cura conhecida para o lipedema, mas é possível controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Segundo Trovó, o acompanhamento precoce é essencial. O manejo efetivo envolve uma equipe multidisciplinar: fisioterapeuta para técnicas como drenagem linfática, médico para avaliação clínica, nutricionista para orientar a alimentação e psicólogo para abordar o impacto emocional da doença.
Orientações nutricionais e de estilo de vida
Na visão da especialista, a nutrição tem papel importante no controle do lipedema. Recomendações práticas incluem reduzir o consumo de sódio — evitando alimentos ultraprocessados e temperando com ervas para diminuir o sal — e fracionar as refeições ao longo do dia, priorizando frutas, verduras e alimentos ricos em compostos bioativos.
Uma dieta com caráter anti-inflamatório pode ajudar: especiarias como cúrcuma e gengibre, fibras como o psyllium e alimentos prebióticos como a chicória são citados por Trovó como aliados para o intestino, cujo bom funcionamento influencia processos inflamatórios de baixo grau. Também são recomendadas proteínas magras, gorduras insaturadas de boa qualidade e a interrupção de hábitos nocivos, como consumo de álcool e tabagismo.
A hidratação adequada, inclusive com água aromatizada, contribui para melhorar a circulação e o trânsito intestinal, reforçando a importância de medidas integradas para mitigar o inchaço e o desconforto.
Para pacientes com lipedema, a especialista ressalta que, embora a doença não tenha cura, a combinação de tratamento precoce, suporte multidisciplinar e mudanças no estilo de vida pode reduzir sintomas e melhorar o bem-estar.