Um exemplo é a canção ‘Carinhoso’ de Pixinguinha, que ganhou uma versão cantada por Orlando Silva em 1937
O programa “Sala de Música” da CBN destacou músicas brasileiras e internacionais que, Sabia que algumas músicas conhecidas na voz de cantores, originalmente, eram só instrumentais?, embora hoje sejam conhecidas por suas versões cantadas, tiveram origem como composições instrumentais. A apresentação abordou a história e as transformações de algumas dessas obras, interpretadas por artistas renomados e orquestras.
Carinhoso, de Pixinguinha: uma obra emblemática do choro brasileiro
Uma das músicas mais celebradas do Brasil, “Carinhoso”, foi composta por Pixinguinha, um dos maiores nomes do choro, compositor, arranjador, maestro, professor, flautista e saxofonista brasileiro. A obra ganhou diversas versões ao longo do tempo, incluindo uma versão orquestral executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira. Recentemente, a vida de Pixinguinha foi retratada no filme biográfico “Pixinguinha, um homem carinhoso”.
Além da versão instrumental, “Carinhoso” também é conhecida pela versão cantada, com letra de João de Barro, que se popularizou na voz de Orlando Silva em 1937. Uma interpretação mais intimista, com violão e voz, foi feita por Marisa Monte, que recebeu elogios por sua versão da canção.
Nagrofundando: da composição instrumental à canção popular: Outra obra discutida foi a composição originalmente instrumental chamada “Nagrotafunda”, criada por Ary Barroso para uma peça de teatro. Inicialmente, a música tinha uma letra escrita por J. Carlos, com um tom mais brejeiro e malandro, caracterizando um samba-canção. Essa versão, entretanto, não é a mais conhecida atualmente.
Posteriormente, a música ganhou uma nova letra escrita por Lamartine Babo, que transformou a canção em “Nauranchofundo” (nome atual da música). Essa versão ficou imortalizada na voz de Chitãozinho & Xororó e ganhou ainda mais destaque ao fazer parte da trilha sonora da novela “Tieta”. Atualmente, uma novela chamada “Nauranchofundo” está sendo exibida desde abril, com versões interpretadas por Elba Ramalho e Natasha Falcão.
Arioso, de Johann Sebastian Bach: uma melodia de 300 anos com nova letra
O programa também abordou a melodia “Arioso”, composta em 1729 pelo compositor alemão Johann Sebastian Bach. Originalmente, essa música é uma introdução de uma cantata maior, a Cantata 156.
Flávio Venturini, compositor brasileiro, recebeu um convite para participar de uma festa de reis na cidade de Santo Amaro. Encantado com a cidade, ele compôs uma letra para a melodia na mesma noite, criando a canção “Téu de Santo Amaro”. Essa versão ganhou reconhecimento e foi gravada em parceria com Caetano Veloso, que apreciou a composição e a letra poética. A música também foi tema da novela “Cabocla”, exibida pela TV Globo em 2004.
Tico-Tico no Fubá: uma peça brasileira reconhecida internacionalmente: Outra obra destacada foi “Tico-Tico no Fubá”, composta por Zequinha de Abreu em 1917. Natural de Santa Rita do Passa Quatro, interior de São Paulo, o compositor teve sua antiga casa transformada em museu, onde são preservados seus instrumentos e objetos pessoais.
Originalmente escrita para piano, a música ganhou versões orquestrais, incluindo uma interpretação pela Orquestra Filarmônica de Berlim, regida pelo maestro argentino Daniel Barenboim. A canção alcançou fama internacional principalmente por meio da interpretação de Carmen Miranda, que a imortalizou nos anos 1940, especialmente no filme “Copacabana” (1947).
Informações adicionais
Essas músicas, que transitam entre o instrumental e o vocal, mostram a riqueza da música brasileira e sua capacidade de se reinventar ao longo do tempo. A influência de compositores brasileiros como Pixinguinha, Ary Barroso, Lamartine Babo e Zequinha de Abreu é reconhecida nacional e internacionalmente, assim como a adaptação de obras internacionais, como a de Bach, que ganharam nova vida com letras e interpretações brasileiras.
Além disso, a participação de artistas contemporâneos como Marisa Monte, Elba Ramalho, Natasha Falcão, Flávio Venturini e Caetano Veloso demonstra a continuidade e a valorização dessas obras no cenário musical atual.