O tema do bate-papo é o maior primata das Américas; no Brasil existem duas espécies e a principal diferença é a distribuição
Mais uns sons da terra ecoam, mas não se trata de um cavalo. Desta vez, o protagonista é o muriqui, o maior primata das Américas, tema central desta reportagem.
Os Muriquis: Convidados e Personagens
Para discutir o assunto, contamos com a presença de Ananda, Paulo e Fabiano Rodrigues de Mello (conhecido como Bião), professor da Universidade Federal de Viçosa e conselheiro do Muriqui Instituto de Biodiversidade. Bião destaca que o muriqui engloba duas espécies: o muriqui-do-norte e o muriqui-do-sul, ambos endêmicos da Mata Atlântica brasileira e com características distintas.
Diferenças Geográficas e Fisionômicas
Ananda apresenta os muriquis, enfatizando seu tamanho (até 1,5 metros e mais de 12 kg) e beleza. Bião explica que a principal diferença geográfica reside no Rio Grande, que separa as duas espécies. O muriqui-do-norte habita o sul da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e parte do Rio de Janeiro, enquanto o muriqui-do-sul ocupa a região da Serra do Mar em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Em termos de aparência, o muriqui-do-sul apresenta face preta, enquanto o muriqui-do-norte possui uma descoloração facial, com áreas mais claras no rosto.
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Conservação e Vocalização
Ambas as espécies são consideradas ameaçadas de extinção, com o muriqui-do-norte classificado como criticamente em perigo. Bião explica que o som característico do muriqui, semelhante a um relincho, serve como vocalização de longa distância, facilitando a comunicação em ambientes florestais densos. Apesar da proximidade geográfica atual de algumas populações, o isolamento geológico de centenas de milhares de anos resultou em duas espécies distintas. A preservação desses animais depende de esforços de conservação e conscientização da população.
A conversa finaliza com agradecimentos e a promessa de futuros encontros para aprofundar o conhecimento sobre esses fascinantes primatas brasileiros. A preservação do muriqui e de seu habitat é crucial para garantir a biodiversidade da Mata Atlântica.