Márcio Spimpolo está em Florença, capital da Toscana, e fala sobre a arquitetura e as peculiaridades dos condomínios italianos
O especialista em administração de condomínios Márcio Espímpulo compartilhou, Sabia que na Itália a maior parte dos condomínios não possui síndico?, em participação no programa Condomínio Legal, as diferenças entre a gestão de condomínios no Brasil e na Itália, com foco na cidade de Florença, capital da região da Toscana. A conversa destacou aspectos culturais, arquitetônicos e administrativos que influenciam o funcionamento dos condomínios em ambos os países.
Contexto histórico e arquitetônico de Florença
Florença é conhecida por seu rico patrimônio artístico e arquitetônico, sendo berço de figuras históricas como Dante Alighieri, Leonardo da Vinci, Michelangelo e Maquiavel. A cidade respira arte e história, o que reflete diretamente em sua arquitetura. Um exemplo emblemático é a Ponte Vecchio, construída em 1345, considerada a ponte mais antiga da Europa. Essa ponte de pedra abriga condomínios de lojas e apartamentos suspensos sobre o rio Arno, com dezenas de joalherias em seu interior, funcionando como um cartão-postal da cidade.
Diferenças na administração condominial entre Brasil e Itália: Segundo Espímpulo, a administração dos condomínios em Florença é realizada majoritariamente por empresas especializadas que oferecem um orçamento anual fechado para a gestão completa do condomínio. Essas empresas são responsáveis por todos os serviços, incluindo limpeza, manutenção, troca de lâmpadas, pintura e outras necessidades, o que difere do modelo brasileiro, no qual o condomínio costuma contratar individualmente empresas para portaria, vigilância e outros serviços.
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Na Itália, a maioria dos condomínios são prédios de três a quatro andares, geralmente sem portaria, o que também diferencia o modelo brasileiro, onde condomínios maiores costumam contar com portaria e diversos contratos específicos para cada serviço. O modelo italiano simplifica a gestão ao concentrar a responsabilidade em uma única administradora, que gerencia todos os aspectos operacionais dentro do orçamento previamente acordado.
O papel do síndico e a viabilidade do modelo italiano no Brasil: Embora exista a necessidade de um responsável pelo condomínio na Itália, o conceito de síndico, como conhecido no Brasil, não é aplicado da mesma forma. Espímpulo ressaltou que o modelo italiano, com administradora única e orçamento fechado, é mais comum em condomínios de multipropriedade no Brasil, como em Caldas Novas e Olímpia, mas ainda não é amplamente adotado em condomínios residenciais tradicionais.
O especialista destacou que o sistema brasileiro atual apresenta falhas e dificuldades, mas que a implementação de um modelo semelhante ao italiano exigiria um trabalho inicial significativo para adaptação. A centralização dos serviços em uma única administradora pode trazer vantagens em termos de eficiência e controle de custos, mas sua aceitação e viabilidade dependem das características e necessidades específicas dos condomínios brasileiros.
Considerações finais: A experiência internacional trazida por Márcio Espímpulo evidencia que a administração condominial está diretamente ligada ao contexto cultural e estrutural de cada país. Enquanto a Itália adota um modelo mais centralizado e simplificado, o Brasil ainda opera com múltiplos contratos e uma gestão mais fragmentada. A troca de experiências pode contribuir para a evolução das práticas administrativas, buscando maior eficiência e qualidade na gestão dos condomínios.
Informações adicionais
Não foram divulgados dados específicos sobre custos médios, número exato de condomínios administrados por empresas na Itália ou estatísticas comparativas detalhadas entre os dois países.