Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
O estresse é um fator de risco reconhecido para doenças circulatórias, especialmente o infarto do miocárdio. Um estudo abrangente, que avaliou o risco de infarto em 56 países, incluindo o Brasil, revelou que indivíduos que relataram estresse psicossocial constante apresentaram o dobro da probabilidade de sofrer um infarto do miocárdio.
O Impacto do Estresse na Saúde Cardiovascular
Eventos estressantes na vida podem desencadear alterações fisiológicas significativas, como o aumento da pressão arterial. Um exemplo ilustrativo é o de um participante de um estudo em Nova York, que monitorava sua pressão arterial regularmente. Na semana anterior aos ataques de 11 de setembro, sua pressão era estável em 12 por 7. Na manhã do ataque, manteve-se inalterada. No entanto, na tarde do mesmo dia, sua pressão arterial elevou-se para 16 por 10, permanecendo alta por vários dias, retornando aos níveis normais somente duas semanas depois. Este caso demonstra claramente como o estresse psicossocial pode induzir alterações orgânicas que se correlacionam com doenças circulatórias.
Estresse no Trabalho e Risco Cardiovascular
Pesquisas nos Estados Unidos indicam que o estresse no ambiente de trabalho aumenta o risco de eventos cardiovasculares e mortalidade, principalmente devido a ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Além disso, a exposição a altos níveis de ruído e ao tabagismo passivo no local de trabalho também contribuem como fatores estressantes. Curiosamente, indivíduos desempregados também apresentam taxas elevadas de eventos cardiovasculares, provavelmente devido ao estresse associado à sua condição.
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Profissões de Alto Risco e a Importância do Bem-Estar
Certos profissionais, como jornalistas, publicitários, motoristas de ônibus e pilotos de aeronaves, enfrentam níveis de estresse mais intensos e, consequentemente, maior probabilidade de desenvolver hipertensão. Idealmente, o trabalho deve ser uma fonte de prazer e satisfação, minimizando o estresse e promovendo a saúde. Um estudo recente, que acompanhou mais de 130 mil pessoas por até 17 anos, revelou um aumento de 22% na ocorrência de derrame cerebral em homens que relataram altos níveis de estresse no trabalho. Em mulheres, essa porcentagem foi ainda mais expressiva, atingindo 33%.
Embora seja evidente que o estresse, seja no trabalho ou fora dele, representa um risco para eventos circulatórios, ainda há muito a ser aprendido sobre como mitigar seus efeitos de forma eficaz.